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CONFERÊNCIA DE 1919

gcarsantos@gmail.com — 25-12-2006 GTM 1 @ 15:32

A CONFERÊNCIA BÍBLICA DE 1919 -- I

Introdução

Molleurus Couperus*

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Apresentamos a tradução das transcrições taquigráficas da famosa "Conferência Bíblica de 1919". O importante documento, que oferecemos ligeiramente condensado, manteve-se esquecido por mais de seis décadas num remoto canto dos arquivos dos escritórios da Associação Geral, em Takoma Park, Md., E.U.A., até serem descobertos pelo Dr. F. Donald Yost, compreendendo 2.400 páginas de cópias das notas taquigráficas dessa série de conferências esclarecedoras. Tendo participação destacada do então presidente da Associação Geral, Pastor Arthur G. Daniells, as reuniões abrangeram os meses de julho e agosto de 1919. Um artigo do órgão oficial da Igreja, Review and Herald, de 21/8/1919, noticia que o encontro reuniu "editores, professores de Bíblia e História de nossos colégios e seminários, e membros da Comissão da Associação Geral", com participação de cerca de 50 pessoas. Foi traduzido da edição de Spectrum, publicação da Associação de Fóruns Adventistas, Vol. 10, no. 1, pp. 23 a 26.

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* Molleurus Couperus chefiava o departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Loma Linda até aposentar-se. Este artigo foi traduzido de Spectrum, Vol. 10, no 1, pp. 23 a 26.

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Um comentário de Molleurus Couperus, que escreveu a introdução do material aqui transcrito, pode dar a medida da relevância para nós de tal conclave e de suas conclusões e decisões: "Parece uma tragédia que este material não estivesse disponível aos professores e pastores adventistas após a Conferência Bíblica, e que a mensagem que os participantes dessa conferência desejaram compartilhar com a membresia da Igreja nunca haja sido transmitida".

A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem sido abençoada pela grande dedicação e liderança de muitos indivíduos, tanto durante os primórdios de sua história quanto ao longo de seu desenvolvimento posterior. Entre esses, ninguém tem tido maior influência sobre esta Igreja do que Ellen G. White, desde pouco depois do Desapontamento de 1844, até o presente, muito após sua morte em 16 de julho de 1915.

A despeito de sua limitada educação formal, Ellen (Harmon) White desenvolveu-se como pessoa de profunda percepção e estatura espiritual, revelando-se sábia conselheira e líder, profunda estudiosa e comentarista da Bíblia. Todas essas características estão refletidas no volumoso material escrito que procedeu de sua pena, e que tem continuado a estender sua influência e autoridade sobre sua Igreja até o presente.

Ellen G. White, com o tempo, tornou-se cada vez mais ativa na pregação e viajou vastamente, no que se inclui a Austrália e a Europa, para ajudar a Igreja em sua expansão. Ela também se empenhou na redação de artigos para vários periódicos denominacionais e na publicação de livros grandes e coletânea de livros, tais como a série de cinco volumes chamada O Conflito dos Séculos. Para auxiliá-la nessa parte de seu trabalho, de tantas exigências, teve a possibilidade de valer-se dos serviços de hábeis assistentes literárias, como Marian Davis, que trabalhou com ela por cerca de 25 anos.

Logo após suas primeiras visões terem aparecido e sido publicadas, naturalmente perguntas foram suscitadas com respeito à natureza dessas visões, sua autoridade e, pouco depois, a relação delas com a Bíblia. Esta última questão tem permanecido um tema de debate e até controvérsia na Igreja desde então. O marido de Ellen G. White, Tiago White, estava plenamente consciente desse problema logo após suas primeiras visões, e discutiu-o longamente já em 21 de abril de 1851 na Review & Herald onde expressava que ninguém está "em liberdade de volver-se [das Escrituras] para aprender seu dever mediante quaisquer dos dons. Dizemos que no momento em que o fizer, coloca os dons num lugar errado, e assume uma posição perigosa".

Declarava ele noutro artigo de idêntico teor: "A Palavra de Deus é uma rocha eterna. Sobre ela podemos firmar-nos confiantemente todo o tempo. . . . Conquanto o Senhor conceda sonhos, destinados geralmente a indivíduos que os possuem, para confortar, corrigir ou instruir em provas e perigos extremos, contudo supor que Ele tenciona guiar em deveres gerais por sonhos é anti-escriturístico e muito perigoso. A Palavra e o Espírito são-nos dados para guiar". Quatro anos mais tarde, na edição de 16 de outubro de 1855, ele dizia: "Há uma classe de pessoas que se propuseram a que a Review e seus dirigentes tornem as visões da Sra. White como teste de doutrina e comunhão cristã. O que tem a Review a ver com as visões da Sra. White? Os sentimentos publicados nestas colunas são todos exarados das Escrituras Sagradas. Nenhum redator da Review jamais se referiu a elas como autoridade sobre qualquer ponto. A Review por cinco anos não tem publicado nenhuma delas. Seu lema tem sido, 'A Bíblia e a Bíblia só é a única regra de fé e dever'".

Ao passarem-se os anos, alguns na Igreja reivindicaram inspiração verbal para os escritos de Ellen White, uma posição rejeitada por Tiago White e oficialmente pela Igreja. Outros reivindicavam infalibilidade, e muitos a chamavam de profetisa. Ela negava ambas as coisas, mas entendia que sua obra era mais do que a de um profeta, denominando-se uma "mensageira". Quanto a infalibilidade, ela declarou: "Com respeito a infalibilidade, nunca a reivindiquei; Deus somente é infalível" (Selected Messages [Mensagens Escolhidas] I, p. 37). A despeito dessas declarações, de tempos em tempos alguns autores na Igreja têm atribuído variados graus de infalibilidade a seus escritos. Roderick Owen, na reimpressão de um artigo na Review & Herald de 2 de junho de 1971, atribuía-lhe "a interpretação infalível das Escrituras".

A posição oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia tem sempre sido de que nossas crenças são tão-só baseadas nas Escrituras, e que pela Bíblia Sagrada todas as reivindicações pela verdade religiosa devem ser testadas em última instância. Crer que Ellen White foi usada por Deus para ajudar a guiar a igreja recém-nascida como uma líder espiritual não implica que se possa atribuir-lhe infalibilidade em seu trabalho, palavras ou escritos. O seu filho, W. C. White, que trabalhou intimamente com a mãe por muitos anos, e para os Depositários dos Escritos de Ellen G. White após sua morte, escreveu a respeito de suas declarações sobre História: "Mamãe nunca reivindicou ser autoridade em História" (W. C. White, em The Great Controversy Edição de 1911, p. 4; citado por Arthur L. White em The Ellen G. White Writings, 1973). "No que respeita aos escritos de mamãe e o seu emprego como autoridade em pontos de História e Cronologia, mamãe nunca quis que seus irmãos os tratassem como autoridade concernente a detalhes de História ou datas históricas. . . . Quando O Conflito dos Séculos foi escrito, mamãe nunca imaginou que os leitores o tomariam como autoridade em datas históricas ou o empregariam para resolver controvérsias a respeito de detalhes históricos, e ela não julga agora que deva ser empregado dessa forma" (carta de W. C. White a W. W. Eastman, 4 de novembro de 1912; citado em The Ellen G. White Writings, por Arthur L. White, pp. 33 e 34).

Por que padrões, então, devem ser os escritos de Ellen White julgados? Em primeiro lugar, segundo suas próprias palavras e as de Tiago White: pela Escritura. Todas as outras declarações, de caráter histórico, médico, científico, à semelhança das declarações de qualquer outro mortal, devem ser capazes de passar pelo crivo da pesquisa histórica ou científica--o teste da verdade, como creio que Ellen White desejaria. Então a sua mensagem, tão grandemente confinada a sua própria Igreja pela atitude infundada daqueles que advogam infalibilidade para os seus escritos, tornar-se-ia aceitável também para o estudo devocional e bíblico fora da própria Igreja, que tem sido acusada por tantos anos de possuir "uma adição às Escrituras ou acima delas".

O conflito que se tem manifestado na Igreja Adventista do Sétimo Dia para chegar-se a uma decisão aceitável e honesta quanto ao lugar que os escritos de Ellen G. White devem ter na nossa Igreja e para os que pertencem a outras Igrejas é ilustrado pelos debates que tiveram lugar na Conferência Bíblica em Takoma Park, durante 1o a 21 de julho de 1919, e que foi imediatamente seguida por uma série de reuniões de três semanas do Concílio de Professores de Bíblia e História. Na Review & Herald de 14 de agosto de 1919, W. E. Howell alista 22 delegados de nossos colégios que assistiram ao Concílio de Professores de Bíblia e História, e outra evidência indica que o número total dos que estiveram presentes à Conferência Bíblica foi de mais de 50. O presidente da Associação Geral da época, Arthur G. Daniells, prestou relatório da Conferência Bíblica na Review & Herald de 21 de agosto de 1919 e nos informa que a reunião teve participação de "redatores, professores de Bíblia e História de nossos colégios e seminários, e membros da Comissão da Associação Geral". Entre os que tiveram participação na Conferência Bíblica, além de A. G. Daniells, estavam autoridades diversas da denominação na área administrativa e educacional, redatores e editores da Review & Herald e outras publicações adventistas, secretário de campo, professores de seminários e outras instituições educacionais da Igreja. [N.T. -- O artigo original alista seus nomes e posições].

Em seu relatório da Conferência Bíblica, o Pr. Daniells destacou a importância de contínuo e mais profundo estudo das Escrituras por nossa Igreja. Declarou ele: "O grande objeto desta conferência é unir-nos num estudo prático, definido e espiritual da Palavra de Deus". A seguir passa a citar longos trechos de Ellen G. White aconselhando a Igreja ao diligente estudo das Escrituras, o que inclui: "O fato de não haver controvérsia ou agitação entre o povo de Deus não deve ser considerado evidência conclusiva de que estão se apegando à sã doutrina. Há razão para temer que podem não estar discriminando claramente entre a verdade e o erro. Quando nenhumas questões novas são despertadas pela investigação das Escrituras, quando nenhuma diferença de opinião se levanta que leve os homens à pesquisa da Bíblia por si mesmos para assegurar que possuem a verdade, haverá muitos agora, como nos tempos antigos, que se apegarão à tradição, e adorarão aquilo que desconhecem" (Testimonies for the Church, Vol. V, pp. 706, 707).

O Pr. Daniells também relatou as decisões que se tomaram durante a conferência, e disto citamos:

"Portanto expressamos nossa apreciação quanto aos aspectos definidos que marcaram as sessões desta Conferência Bíblica:

"5. Pelo incentivo de mais zeloso estudo bíblico que a conferência tem despertado. . . . Reconhecemos, contudo, que há ainda muitas minas de verdade nas Santas Escrituras, e que estas produzirão o seu tesouro ao buscador da justiça que for zeloso e fervoroso em oração. . . .

"6. Cremos que as bênçãos e benefícios que se produzirão de conferências bíblicas como esta que desfrutamos devem ser perpetuadas no futuro. . . . Portanto, solicitamos insistentemente que a Comissão da Associação Geral faça arranjos para outra conferência desta natureza em 1920. . . ."

Tal conferência, todavia, nunca foi organizada.

Os registros da Conferência Bíblica de 1919 estiveram perdidos até dezembro de 1974, quando o Dr. F. Donald Yost encontrou dois pacotes embrulhados em papel no edifício da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, em Takoma Park. Os pacotes continham cerca de 2.400 páginas de material datilografado, transcritos de notas estenográficas tomadas durante a Conferência. Parece uma tragédia que este material não estivesse disponível aos professores e pastores adventistas após a Conferência Bíblica, e que a mensagem que os participantes nessa conferência desejaram compartilhar com a membresia da Igreja nunca haja sido transmitida.

A seguir, apresentamos o registro transcrito das reuniões da Conferência Bíblica de 1919, em 30 de julho e 1o de agosto, que trataram especialmente sobre o espírito de profecia. As discussões foram abertas e francas, mas refletem grande sensibilidade. Houve outras reuniões em que este assunto foi discutido, mas as reuniões aqui relatadas foram as mais longas e abrangentes. Delas participaram vários indivíduos que haviam trabalhado pessoalmente com Ellen White por muitos anos. Devido a seu grande significado histórico, as transcrições são publicadas de forma completa e sem revisões editoriais, de modo a que os participantes das duas reuniões possam falar por si mesmos**.

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** Este último comentário não se aplica plenamente à tradução do material, embora se possa dar absoluta garantia quanto à fidelidade às palavras originais da transcrição das reuniões. O material foi ligeiramente condensado. As omissões estão assinaladas com ". . ." e constituem cerca de 10% do texto original (trechos irrelevantes que não alteram em nada o teor do contexto). Para efeito de tradução ao português pequenos ajustes editoriais foram realizados para maior clareza e concatenação de idéias. O original completo foi publicado em Spectrum, Vol. 10, no 1, pp. 23 a 57.

A CONFERÊNCIA BÍBLICA DE 1919 - II

EM DEBATE: O Uso do Espírito de Profecia em Nossa Instrução de Bíblia e História (Sessão de 30 de julho de 1919).

W. E. Howell: Nosso tópico para esta hora, como disposto no programa, é: "O Uso do Espírito de Profecia em Nossa Instrução de Bíblia e História". O Pastor Daniells está aqui conosco esta manhã para cumprir sua promessa aos nossos professores de que nos daria uma palestra sobre este tema, e estou seguro de que a oportunidade para considerar esta questão mais a fundo será grandemente apreciada.

A. G. Daniells: Fiquei um tanto em dúvida . . . quanto a exatamente que linha de argumentação seria melhor seguir. Há tanto o que dizer sobre isto que não se pode apresentar plenamente tudo numa palestra. . . . Preferiria que me dirigissem perguntas e então tentarei responder as questões que lhes forem de maior interesse. . . . Apresentarei um ou dois pontos o mais brevemente possível para começar, e a seguir abrirei espaço para perguntas.

Primeiramente reitero que . . . não desejo proferir uma só palavra que destrua a confiança neste dom a este povo. Não quero criar dúvidas. Não desejo absolutamente diminuir o valor dos escritos do espírito de profecia. Com toda honestidade, não me paira na mente qualquer dúvida. . . . Posso dizê-lo com toda a honestidade. Tenho tido perplexidades ao longo de quarenta anos de ministério e deparado coisas semelhantes às que Pedro disse sobre os escritos de Paulo--difíceis de compreender. . . Recebi testemunhos pessoais que não podia compreender . . . mas o tempo tem-me ajudado a compreender; e tenho concluído que não enxergamos segundo a perspectiva do Senhor, e não sabemos tanto quanto o Senhor sabe a respeito de nós mesmos. . . .

O primeiro deles que recebi e que lançou-me em confusão acusava-me muito vigorosamente de certo--bem, eu o revelarei da pior forma--uma tendência de dominar sobre meus irmãos em questões administrativas, não lhes dando a liberdade mental de opinião a que tinham direito. Eu não compreendia isso. Não me parecia assim. Indaguei a alguns de meus bons amigos e disseram nunca haverem sentido assim, e isso me pôs em maior perturbação. Até alguns membros da Comissão jamais haviam percebido isso. O que deveria fazer? Eles não eram os homens certos de quem obter tal informação sobre mim. Logo descobri que havia alguns homens que criam ser a mensagem correta. Dentro de um ano, mais ou menos, descobri uma forte tendência, quando sob tensão e cansaço, de fazer exatamente isso; assim, apanhei a mensagem e a li novamente em oração, e reconhecia-a como vinda do Senhor, e estou tentando todo o tempo guardar-me contra qualquer espírito de dominação, pois julgo ser uma coisa extremamente abominável que um homem numa posição administrativa comece a agir como um ditador sobre os subalternos, conquanto seja isso da natureza humana. . . .

Quando eu tomo posições divergentes de outros, isso não é prova de que seja um duvidador. Posso duvidar de suas opiniões ou interpretação, mas isso não me torna um duvidador do espírito de profecia. Posso diferir de alguém em sua interpretação da Bíblia, mas isso não me torna um duvidador da Bíblia. Há, porém, os que me identificam como um duvidador dos Testemunhos porque assumo a posição de que não são verbalmente inspirados, e que foram aprimorados e postos em forma gramatical apropriada por secretárias. Alguns anos atrás um homem na comissão de nomeações desejava que eu deixasse a presidência porque eu não cria que os Testemunhos eram verbalmente inspirados. Isso era porque eu diferia dele quanto a teoria e interpretação; mas eu é quem tenho de dizer se duvido dos Testemunhos, não é? [Vozes: Sim, sim!] E assim se dá com vocês. . . . Oh, eu sentiria terrivelmente se esta denominação perdesse sua fé verdadeira, genuína e apropriada neste dom que Deus concedeu a Sua igreja nessas mensagens que vieram a nós. Desejo que permaneçamos firmes nisso até o fim. [Améns]

Agora, com respeito às evidências: difiro de alguns dos irmãos que têm reunido provas ou evidências da genuinidade deste dom, neste aspecto--creio que a mais forte prova se encontra nos frutos deste dom para a Igreja, não em demonstrações físicas e exteriores. Por exemplo, tenho ouvido alguns pastores pregarem, e lido textos de que a Irmã White certa vez sustentou uma pesada Bíblia--acredito que diziam pesar uns nove quilos--com o braço estendido, e olhando para o alto na direção dos céus citava textos e folheava as páginas apontando textos, com os olhos na direção do céu. . . . Eu não vi isso ocorrer, e não sei se jamais falei com alguém que viu. Mas, irmãos, não considero esse tipo de coisa como prova relevante. . . .

Bem, quanto disso é genuíno, e quanto se insinuou dentro do relato?--Não sei. Mas não creio ser o tipo de prova que devemos empregar. Faz tempo que assinalei esse tipo de coisa,--nenhuma respiração, e os olhos bem abertos. Isso pode ter acompanhado o exercício deste dom nos primeiros tempos, mas certamente não se deu nos últimos tempos, e, entretanto, acredito ter sido este dom exatamente tão genuíno e exercitado nos tempos finais quanto nos tempos pioneiros.

C. P. Bollman: A mesma coisa não é verdadeira com respeito à Bíblia? Não se pode, em síntese, crer nela por causa de seus frutos, o que ela faz, e não devido às coisas sobrenaturais nela relatadas?

A. G. Daniells: Sim. Por exemplo, eu não tomaria a história de como Davi matou um leão e um urso, ou de Sansão matando um leão, e proclamar isso para os descrentes ou estranhos como prova de que a Bíblia é inspirada, especialmente quanto a Sansão. Eis como eu preferiria ensinar meninos e meninas: começaria com o início deste movimento. Naquela ocasião manifestou-se um dom concedido a esta pessoa; e com esse dom . . . surgiu este movimento da tríplice mensagem angélica. Surgiram juntos no mesmo ano. Esse dom foi exercitado firme e poderosamente no desenvolvimento deste movimento. Os dois estavam inseparavelmente ligados, e houve instrução concedida com respeito a este movimento em todas as suas fases mediante este dom, ao longo de setenta anos.

Então, em minha própria mente, eu examino as fases. A primeira seria a Bíblia. Qual será a atitude do povo neste movimento em relação à Bíblia? Sabemos que essa deveria ser nossa autoridade sem um credo e sem a alta crítica. Este é o livro. A posição que mantemos hoje é a posição correta, cremos,--magnificar este Livro, obter nossa instrução a partir deste Livro, e pregar este Livro. O plano de salvação integral, tudo quanto é necessário para a salvação está neste Livro, e não precisamos recorrer a nada mais fora deste Livro para sermos salvos. Esta tem sido a atitude do espírito de profecia para com este livro desde o começo, não é mesmo? [Vozes: Sim.] E suponho que podemos dar crédito a este dom por nossa atitude com respeito ao Livro, tanto quanto a qualquer influência que alguém tenha exercido.

Agora, vejamos as doutrinas da Bíblia: Em todas as outras reformas que vieram à tona, os líderes foram incapazes de distinguir corretamente entre todo o erro e verdade--o dia de sábado, o batismo, a natureza do homem, etc.--e assim abertamente ensinaram erros com base neste livro. Mas agora, quando chegamos a este movimento, descobrimos o maravilhoso poder de discriminação da parte do espírito de profecia, e não conheço uma única verdade neste Livro que seja deixada de lado pelo espírito de profecia, nenhum único erro bíblico ou teológico que atravessou a Idade Média que tenha sido fomentado pelo espírito de profecia e imposto sobre as pessoas que tenhamos de desacreditar quando nos dirigimos a este Livro. As doutrinas do batismo, a lei, o lugar e valor e dignidade do Espírito Santo na igreja, e todos os demais ensinos que temos, foram magnificados por este dom entre nós.

Sigamos outro rumo--atividades da igreja. Eis nossa atitude para com missões estrangeiras e evangelismo mundial. Quem entre nós jamais exerceu maior influência do que este dom em prol do evangelismo mundial?

Tomemos a questão do apoio liberal e altruísta à Obra. Quando vocês se dirigem a estes escritos, encontram-nos cheios de exortações, e se os vivermos de modo melhor do que o fazemos, nossos dons serão maiores, e nosso progresso mais rápido.

Daí tomem nossa atitude com respeito ao serviço que devemos prestar aos semelhantes, o serviço cristão assistencial--todas essas atividades em que um Cristão deve ser uma real bênção, um indivíduo altruísta na comunidade para ajudar as pessoas em seus sofrimentos e infortúnios, pobreza e doença, e de todas as maneiras em que careçam de auxílio. Descobrimos que os escritos do espírito de profecia abundam com exortações a uma vida de dedicação ao convivermos com nossos semelhantes.

Tomem a questão da saúde e do trabalho médico-missionário, e todas essas atividades, e tomem o serviço que deve ser posto em prática em favor da juventude. Onde encontraremos em qualquer movimento . . . melhor instrução quanto à atenção que deve ser dedicada aos jovens. Tomem a questão da educação: Por que, irmãos, nenhum de nossos professores jamais se antecipou ao conselho, essa boa e saudável instrução, que encontramos no espírito de profecia.

Essas coisas eu assinalo como realmente a evidência convincente da origem deste dom, e a genuinidade dele,--não algumas demonstrações visíveis que algumas poucas pessoas testemunharam. . . .

C. L. Taylor: Queria pedir-lhe que discutisse conosco o valor exegético dos Testemunhos. . . . São dignas de confiança as explicações bíblicas que ela dá? . . .

A. G. Daniells: Sempre julguei que fossem. Pode dar-se que em algumas questões bem críticas venham a ocorrer algumas dificuldades; mas tenho empregado os escritos por anos numa maneira a clarificar ou elucidar o pensamento nos textos bíblicos. Tome O Desejado e Patriarcas e Profetas. Ao lê-los inteiramente descobri muitos exemplos de boa iluminação. Isso responde a sua pergunta? Você quer saber se os estudantes devem recorrer aos escritos [de E.G.W.] para sua interpretação da Bíblia, ou para obterem luz adicional? Noutras palavras, é necessário contar com esses escritos a fim de compreender a Bíblia? . . .

C. L. Taylor: . . . Vou dar-lhe um exemplo mais concreto. Suponhamos que um estudante venha buscar auxílio para entender um texto, desejoso de saber o seu sentido. É apropriado que o professor explique essa passagem com, talvez, outras passagens iluminadoras ao texto, e então introduza o espírito de profecia como luz adicional sobre o texto? Ou suponhamos que dois estudantes difiram quanto ao significado de um texto, e vão ao professor para descobrirem o sentido: deve o professor explicar o texto e então usar os Testemunhos para apoiar a posição que toma? Ou, vejamos ainda uma terceira situação: suponhamos que dois irmãos, ambos crentes nos Testemunhos, e, logicamente, basicamente crentes na Bíblia, tenham uma diferença de opinião sobre certo texto: É correto que em seu estudo desse texto recorram ao espírito de profecia para ajudá-los em sua compreensão do mesmo, ou devem deixar isso fora de questão inteiramente?

A. G. Daniells: Quanto ao primeiro ponto, penso assim, que devemos obter nossa interpretação a partir deste Livro, primariamente. Julgo que o Livro se explica a si mesmo, e penso que devemos entender o Livro fundamentalmente mediante o Livro, sem recorrer aos Testemunhos para buscar provas.

W. E. Howell: O espírito de profecia diz que a Bíblia é sua própria intérprete.

A. G. Daniells: Sim, mas tenho ouvido pastores declarar que o espírito de profecia é o intérprete da Bíblia. Ouvi isso pregado na Associação Geral uns anos atrás, quando foi dito que a única maneira em que poderíamos compreender a Bíblia era mediante os escritos do espírito de profecia.

J. M. Anderson: E ele também falou em "intérprete infalível".

C. M. Sorenson: Essa expressão foi cancelada. Esta não é nossa posição.

A. G. Daniells: Não é a nossa posição, nem é correto que o espírito de profecia seja o único intérprete seguro da Bíblia. Esta é uma falsa doutrina, uma falsa opinião. Ela não prevalecerá. Ora, meus amigos, o que teriam todas as pessoas feito desde os dias de João até o presente se não houvesse meio de entender a Bíblia, exceto pelos escritos do espírito de profecia?! É uma posição terrível a se tomar! Isso é falso, é um erro. É positivamente perigoso! O que farão as pessoas na Romênia? Temos centenas de observadores do sábado lá que nunca viram um livro do espírito de profecia. O que farão as pessoas na China? Será que só entenderão este Livro ao obtermos a interpretação mediante o espírito de profecia e daí a levarmos a eles? Isso é paganismo!

L. L. Caviness: Entende que os primeiros crentes obtiveram seu entendimento da Bíblia, ou derivou isso do espírito de profecia?

A. G. Daniells: Dói-me ouvir o modo como alguns falam, que o espírito de profecia foi dado para oferecer toda instrução, doutrina, aos pioneiros e que eles imediatamente as aceitaram. Isso não está de acordo com os próprios escritos, os Primeiros Escritos. É-nos dito como tudo ocorreu: eles pesquisaram aquelas passagens conjuntamente e estudaram e oraram a respeito delas até obterem consenso. A Irmã White declara em suas obras que por um longo tempo ela não podia entender, que sua mente estava bloqueada sobre aquelas coisas, e os irmãos abriram seu próprio caminho. Ela não trouxe para este movimento a verdade do sábado. . . . Mas teve ajuda do Senhor e quando esse claro conhecimento lhe foi dado dessa maneira, ela era uma frágil garota, e não podia compreender teologia, mas tinha um claro esboço que lhe foi dado, e a partir daquele dia até sua morte nunca vacilou um minuto. Mas o Senhor não deu por revelação para outrem tudo o que tinha dado neste Livro. Ele concedeu este Livro, e deu aos homens cérebros e poder de raciocínio para o estudarem.

Em meu trabalho de classe eu não transmitiria a idéia, de modo nenhum, aos estudantes de que não poderão entender a Bíblia senão pelos escritos da Irmã White. Eu destacaria aos estudantes, como faço com pregadores e em reuniões ministeriais, a necessidade de obter sua compreensão da Bíblia a partir da própria Bíblia, e usar o espírito de profecia para ampliar nossa visão. Digo-lhes para não serem preguiçosos quanto ao estudo do Livro, e não caçarem primeiro algo que foi escrito sobre certo ponto que apenas engulam sem estudo. Creio que tal atitude se constituiria um hábito muito perigoso em que os ministros poderiam cair. E, devo confessar, há alguns que sairão em busca de uma declaração nos Testemunhos e sem passar qualquer tempo em profundo estudo do Livro. . . . Deve-se ir ao Livro diretamente e obter, por estudo cuidadoso, o conhecimento, e então encontrar no espírito de profecia ou quaisquer outros escritos o que o ajude e lance luz e clarifique sua perspectiva do ensino--isto está de acordo. . . .

C. L. Taylor: . . . Voltando ao caso dos dois que aceitam a Bíblia e os Testemunhos, mas ainda têm uma diferença de interpretação sobre que desejam auxílio,--é correto que empreguem os Testemunhos em seu estudo desse texto, bem como a Bíblia?

A. G. Daniells: Penso que é correto tomar toda a fundamentação de ensino e pensamento reunidos nos Testemunhos quanto a esse assunto. Se me vejo em perplexidade quanto a um texto, e em meu estudo do espírito de profecia acho algo que o torna claro, isso é suficiente. Creio que o irmão Prescott ilustra isso na questão de Mateus 24, sobre o qual ocorre um claro esboço no espírito de profecia.

W. W. Prescott: Por dois ou três anos gastei um bom tempo no estudo de Daniel, capítulo 8, para obter o que julgava ser a interpretação apropriada desse capítulo. Cheguei certa vez ao ponto em que desejei ter aquilo mais esclarecido, de modo a que pudesse empregá-lo, e tornei isso especial objeto de oração. Estava, então, viajando pela Inglaterra, hospedado na casa de um irmão. E ouvi quase que como uma voz: "Leia o que é dito em Patriarcas e Profetas sobre o assunto. . . . Cheguei exatamente ao capítulo que tratava do tema e descobri exatamente o que desejava ter esclarecido em minha mente sobre o assunto. . . .

Em ligação com o que o Irmão Taylor perguntou, gostaria de sugerir a seguinte questão: se um comentário no espírito de profecia sobre a Versão Autorizada estabelecer certa versão como correta em cotejo com a Versão Revisada, onde o texto é modificado, e se alguém aceita a Versão Revisada, isso excluiria o comentário feito no espírito de profecia [?] Tenho um caso definido em mente. . . . .

W. W. Prescott: Como deveríamos empregar os escritos do espírito de profecia como uma autoridade por meio da qual resolver questões históricas?

A. G. Daniells: Bem, agora, segundo penso, a Irmã White nunca reivindicou ser autoridade em história, e nunca alegou ser uma professora dogmática de Teologia. Nunca delineou um curso de Teologia, como a Sra. Eddy em seu livro sobre ensino. Apenas ofereceu declarações fragmentadas, mas deixou aos pastores e evangelistas e pregadores o tratamento de todos esses problemas bíblicos, de Teologia e História. Ela nunca alegou ser uma autoridade em História; e segundo entendo, onde a história relacionada com a interpretação de profecia era clara e expressiva, ela a inseriu em seus escritos; mas sempre entendi que, no que lhe diz respeito, ela estava sempre pronta para corrigir em revisão declarações que julgasse carecerem de correção. Nunca fui a seus escritos para obter a história que encontro em outros escritos como declaração histórica positiva concernente ao cumprimento de profecia. Não sei como outros podem considerar isso, mas tenho julgado que devo tratar com História do mesmo modo que sou exortado a tratar com a Bíblia,--prová-la cuidadosa e plenamente, e então permitir que prossiga e faça as revisões de tempos em tempos como julgar melhor.

Somente mais um pensamento: Agora sabem algo a respeito daquele livrinho, The Life of Paul [A Vida de Paulo]. Vocês estão a par da dificuldade que tivemos com relação a ele. Jamais poderíamos reivindicar inspiração no pensamento integral e composição do livro, porque foi posto de lado, em vista de ter sido preparado descuidadamente. Créditos não foram atribuídos a autoridades apropriadas, e alguma coisa introduziu-se no Conflito dos Séculos,--a falta de créditos; e na revisão desse livro essas coisas foram cuidadosamente consideradas e acertadas. Pessoalmente isso nunca abalou a minha fé, mas existem homens que ficaram grandemente afetados por causa dessa situação, e creio ser devido a terem feitos altas reivindicações quanto a esses escritos. Tal como declara o Irmão White: há perigo em desviar-se do Livro, e reivindicar demais. Que tenham o seu próprio peso, tal como Deus estabeleceu, e então eu penso que permaneceremos firmes sem ser abalados quando algumas dessas coisas que não podemos harmonizar com nossa teoria vierem à tona.

W. W. Prescott: Há outra experiência que sabe aplicar-se ao que o Irmão Taylor deu destaque. Alguns dos irmãos aqui se recordam muito bem de uma séria controvérsia sobre a interpretação do oitavo capítulo de Daniel, e houve alguns dos irmãos que tomaram posição contra o que foi chamado de "nova opinião", e tomavam os escritos dela para defenderem o seu ponto de vista. Ela escreveu àqueles irmãos instruindo-os a não se valerem dos seus escritos a fim de resolverem aquela controvérsia. Eu penso que isso deveria ser levado em conta como sendo o seu próprio conselho quando irmãos que reivindicavam crer na Bíblia e no espírito de profecia estavam divididos sobre uma interpretação, e foi uma questão de controvérsia pública.

J. N. Anderson: A que ponto tomaria essa palavra da Irmã White como uma declaração geral sobre os seus escritos?

A. G. Daniells: Penso que isso foi específico para aquele caso, mas creio que devemos usar o mesmo juízo quanto à utilização de seus escritos em outros casos.

C. A. Shull: Exatamente como empregaremos os Testemunhos na sala de aula? Qual deve ser nossa atitude para com eles, especialmente no campo da História? Antes de saber que havia alguma declaração no espírito de profecia com respeito à experiência de João, declarei à classe que havia uma tradição de que João havia sido lançado num caldeirão de óleo fervente, e um estudante imediatamente apresentou aquela declaração nos Testemunhos de que João foi lançado no óleo fervente. Agora, desejo saber, teve ela uma revelação divina de que João foi lançado num pote de óleo fervente?

Outra pergunta, sobre a tomada de Babilônia. A Sra. White no espírito de profecia menciona que Babilônia foi tomada, segundo o historiador, pelo desvio das águas. A erudição moderna declara que não ocorreu desse modo. Qual deve ser nossa atitude com respeito a tais coisas?

Sra. Williams: Temos que deparar essa pergunta todo ano.

E. F. Albertsworth: Tenho sido confrontado em minhas aulas por estudantes que vêm com os Testemunhos e se empenham em definir uma questão citando onde ela diz, "Foi-me mostrado". Eles diziam que acima de tudo o mais, isso deve resolver a pendência. Gostaria de saber que atitude deveríamos tomar sobre uma questão desse tipo. . . . Alguns estudantes dizem que isso representa uma revelação direta, e outros dizem que se refere a que pessoas ao seu redor lhe haviam mostrado.

A. G. Daniells: Não creio ter sido isto o que ela dizia ao falar assim. Quando lhe era mostrado algo, o era pelo anjo ou a revelação que lhe era feita. Estou seguro ter sido esse o sentido que ela dava.

E. F. Albertsworth: Tenho encontrado estudantes com dúvidas sobre isso.

W. G. Wirth: Suponhamos que temos um conflito entre as versões bíblicas autorizada e revisada. . . .

A. G. Daniells: Essa pergunta foi apresentada antes. Não devem contar comigo como autoridade; estou em pé de igualdade com vocês nisso. Tenho que formar minhas própria opiniões. Não creio que a Irmã White desejava absolutamente estabelecer a certeza de uma tradução. Não creio que ela tinha isso em mente, ou tinha qualquer coisa a ver com o apor seu selo de aprovação sobre a versão autorizada ou sobre a versão revisada quando as citava. Ela emprega qualquer versão que ajude a expressar o pensamento que tinha mais claramente.

Com referência a esta questão de História, não posso dizer nada mais do que tenho dito, que nunca entendi que a Irmã White se propôs a definir questões históricas. Conversei com ela uma vez sobre o tema do "costumado sacrifício", e levei comigo aquele velho gráfico,--o gráfico mais antigo a que pude ter acesso,--

C. P. Bollman: O mesmo gráfico que o Pastor Haskell vende?

A. G. Daniells: Sim, . . . Eu o coloquei sobre o colo dela e apanhei o Primeiros Escritos e o li para ela, e daí falei-lhe da controvérsia. Passei longo tempo com ela. Era um daqueles dias em que ela se sentia feliz e serena, e então expliquei-lhe com bastante detalhe. Disse: "Aqui a senhora diz que lhe foi mostrado que a posição sobre o 'costumado sacrifício' defendida pelos irmãos estava correto. Agora", continuei, "há duas partes aqui neste 'costumado sacrifício' que menciona. Uma é este período de tempo, os 2.300 anos, e a outra é o 'costumado sacrifício' em si".

Repassei tudo com ela, e cada vez, tão logo chegava a esse tempo, ela dizia: "Ora, eu sei o que me foi revelado--que o período de 2.300 dias estava fixado, e que não haveria tempo definido após isso. Os irmãos estavam corretos ao atingirem a data 1844".

Então eu deixei este ponto, e prossegui sobre o tema do "Costumado Sacrifício". "Ora, Irmão Daniells", ela disse, "eu não sei o que é esse 'costumado sacrifício', se se trata do paganismo ou do ministério de Cristo. Isso não foi o que me veio a ser mostrado". E ela passava àquela zona nebulosa imediatamente. Então, quando eu retornava aos 2.300 anos, ela se aprumava e declarava: "Este é o ponto do qual jamais podemos nos desviar. Digo-lhe que nunca poderá se desviar do período de 2.300 anos. Foi-me revelado que este tempo foi fixado".

E eu creio que foi, irmãos. Vocês poderiam mais facilmente tentar mover-me para fora do mundo do que mover-me desse tema,--não devido a ela ter dito aquilo, mas porque creio ter-lhe sido claramente revelado pelo Senhor. Sobre este outro ponto, porém, quando ela declara que não lhe foi revelado o que seria o 'costumado sacrifício', creio nisso, e tomo os Primeiros Escritos 100% nessa questão do "costumado sacrifício", fixando aquele período. Essa é a coisa sobre que fala, e eu tomo a Bíblia com ela, e tomo a Bíblia quanto ao que o próprio "costumado sacrifício" é.

Assim, quando abordamos essas questões de História, sobre a tomada de Babilônia, penso assim, irmãos: não devemos deixar que cada pequena declaração sobre História encontrada nos desvie do espírito de profecia. Vocês sabem como os historiadores se contradizem, não? Logicamente, o trabalho de vocês é recuar, recuar, recuar à fonte original; e quando chega até lá, e consegue-o perfeitamente claro, não creio que se a Irmã White estivesse aqui para falar-lhes hoje ela os autorizaria a tomar um fato histórico, supostamente sendo um fato, que tivesse incorporado no livro, e indispô-lo contra um fato real da História. Conversamos com ela a respeito de quando o Conflito dos Séculos estava sendo revisado, e tenho cartas em meu arquivo no depósito onde somos advertidos quanto a empregar a Irmã White como historiadora. Ela nunca reivindicou sê-lo. Fomos advertidos quanto a colocar declarações encontradas em seus escritos contra vários relatos históricos baseados em fatos. Esta é a minha posição. Eu não preciso defrontar-me com estudantes, e não tenho que explicar-me perante uma congregação. Acredito que as coisas nesse ponto são mais fáceis para mim do que para os senhores, professores.

W. W. Prescott: Sobre exatamente esse ponto que menciona, da captura de Babilônia, uma das mais recentes edições da Bíblia (?) adota a posição de Heródoto contra a de ___________ e declara: "Por que devemos desprezar os escritos sobre pergaminho em favor dos escritos sobre barro?"

A. G. Daniells: É isso que quero dizer,--que não devemos permitir que cada declaração sobre História que encontremos contradizendo os Testemunhos nos deixe aturdidos. Se há duas autoridades de igual peso sobre este ponto, destaquemos a autoridade que estiver em harmonia com o que temos.

C. A. Shull Pesa-nos como professores uma grande responsabilidade em tomar a atitude correta. Se dissermos que alguma coisa nos Testemunhos é incorreta, os estudantes provavelmente captarão a impressão de que não temos fé nos Testemunhos.

A. G. Daniells: Há duas maneiras de afetar os estudantes nessa questão. Uma maneira é desmerecer os Testemunhos e lançar um pouquinho de questionamento e dúvida sobre eles. Eu jamais faria isto, irmãos, na sala de aula. Não importa quão perplexo eu esteja, jamais lançaria dúvida na mente de um estudante. Eu gastaria horas para explicar as coisas de modo a firmar a fé dos estudantes neles. Lançar dúvidas e reflexões é uma forma de afetar negativamente um estudante. Outra maneira é assumir uma posição extrema e infundada. Vocês poderão fazer isso e passar por alto, mas quando esse estudante estiver fora e entrar em contato com as coisas, ele pode ficar abalado, e talvez abalado de vez, a ponto de cair fora. Creio que devemos ser cândidos e honestos e nunca levantar uma alegação que não esteja bem fundamentada, simplesmente para dar a aparência de crer. Vocês precisam ser cuidadosos em dar essa instrução, porque muitos dos estudantes têm ouvido de seus pais coisas que não são verdadeiras, e ouvem de pregadores coisas que não são assim, e desse modo o fundamento deles é falso.

Devo referir-me novamente a A. T. Jones. Em seu dias áureos vocês sabem como ele assimilou a coisa inteira, e ele enforcaria um homem por uma palavra. Vi-o tomar uma só palavra dos Testemunhos e apegar-se a ela, e isso para ele definia tudo,--apenas uma palavra. Eu estava com ele quando fez uma descoberta,--ou, se não o fez, dava a aparência disso,--e tratava-se de que havia palavras nos Testemunhos e escritos da Irmã White que Deus não lhe deu ordens para colocá-las ali, que havia palavras que ela não introduziu por inspiração divina, com o Senhor apanhando as palavras, mas que alguém ajudara a consertar isso. Assim ele apanhou dois Testemunhos e os comparou, e entrou em grande perturbação. Ele dirigiu-se ao Dr. Kellogg, com quem teve tudo despedaçado.

F. M. Wilcox: Remontando aos anos 60 ou 70 [do século passado -- N.T.] a Associação Geral em assembléia aprovou esta resolução,--dizia que reconhecemos que os Testemunhos foram preparados sob grande tensão e pressão de circunstâncias, e que a redação nem sempre é a mais feliz, e recomendamos sua republicação com mudanças tais que os tragam a um padrão.

A. G. Daniells: Eu gostaria de ter em mãos essa resolução. Agora, irmãos, desejo perguntar-lhes honestamente se há algum homem aqui que tenha dúvidas criadas em sua mente devido a minha atitude e posições tomadas? [VOZES: Não! Não!] Ou haverá algum de vocês que pense que eu sou hesitante quanto aos Testemunhos?-- Eu não direi que [...] pensa ser minha posição incorreta, pois vocês poderiam não concordar comigo, mas com base no que disse, haveria uma tendência de induzi-los a crer que eu sou hesitante, e que em algum tempo vou contribuir para apartá-los dos Testemunhos? [Vários decididos nãos foram ouvidos].

C. L. Taylor: Em sua fala de poucas noites atrás eu concordei 100% com tudo quanto disse. Hoje há apenas uma questão em minha mente. Diz respeito às manifestações exteriores, aquelas coisas talvez de caráter miraculoso. Não sei se pretende transmitir a impressão de que descrê delas ou simplesmente não as ensinaria. Se se trata de não apresentá-las como prova de que a obra é inspirada, concordo plenamente com isso. Por outro lado, se toma a posição de que tais coisas não merecem crédito, que o Pastor Loughborough e outros foram iludidos quanto a essas coisas, eu teria que discordar do irmão.

A. G. Daniells: Eu não as questiono, mas não penso que são o melhor tipo de evidência a ser apresentado. Por exemplo, não julgo que a melhor prova para oferecer a uma audiência quanto ao tema do sábado ou da imortalidade ou batismo seja ir lá e ler os escritos da Irmã White a respeito de tais. Creio que a melhor prova que posso dar está na Bíblia. Talvez se recorde que recaiu sobre mim a pregação no funeral da Irmã White; e se se lembra, aproveitei aquela ocasião para oferecer evidência de seu elevado chamado. Eu não apresentei uma longa lista de frutos e evidências miraculosas. Eu sabia que a matéria seria publicada para o mundo em centenas de jornais, e desejei dar-lhes algo que seria uma elevada autoridade, e isso foi o que ofereci: Primeiro, que ela se firmava na Palavra de Deus do Gênesis ao Apocalipse em todos os seus ensinos. Daí, que se apegou à humanidade em seus mais elevados esforços para ajudar o ser humano,--e me demorei nesses pontos. É isso o que quero dizer, Irmão Taylor; mas eu não desmereço essas outras coisas.

O que desejo saber é isto, irmãos: A minha posição parece ser de tal caráter que fossem levados a pensar que eu sou vacilante? [VOZES: Não!] Se pensam assim, digam-no claramente! Eu não quero fazer isso, mas devo ser honesto,--não posso camuflar uma coisa como essas. Tenho permanecido firme por cerca de quarenta anos sem abalo, e julgo ser uma posição segura; mas se eu fosse levado a tomar a posição que alguns tomam sobre os Testemunhos, eu estaria abalado. [VOZES: Isso é verdade!] Eu não saberia onde me posicionar, pois não posso dizer que branco é preto e preto é branco.

H. C. Lacey: Não nos resta dúvida de que o irmão crê nos Testemunhos. . . . Aqueles que não o ouviram, como pudemos fazê-lo aqui, e estão tomando o outro lado da questão,--alguns deles estão declarando deliberadamente que nem o irmão, nem o Prof. Prescott crê nos Testemunhos. Por exemplo, fui ao Mt. Vernon e lá me reuni com a turma de graduandos, e quando os exercícios estavam concluídos tive uma conversa particular com quatro jovens que me diziam com certeza entender que nossos homens da Associação Geral--eles não se referiam a mim ou ao Irmão Sorensen--não criam nos Testemunhos.

W. W. Prescott Não está nos dizendo nenhuma novidade.

H. C. Lacey: Nós como professores nos achamos numa posição terrivelmente difícil. Nós chegamos até o fundo do poço nas perguntas que foram feitas aqui; mas os estudantes vão mesmo a fundo em algumas dessas coisas, e precisamos nos aprofundar mais ainda aqui. Há pessoas aqui nestas reuniões que não ousam dirigir certas perguntas que têm vindo à tona em suas mentes ou em conversas privadas. Mas o irmão sabe que o professor se acha numa posição bastante difícil.

Sobre a questão da captura de Babilônia, tenho tido a liberdade de dizer que julgava que a evidência era de que Ciro não a capturou daquele modo, mas mantemos o assunto em suspenso e simplesmente o estudamos. Suponhamos agora que tabletes [arqueológicos] sejam descobertos, e outra evidência surja para provar indisputavelmente que Ciro não capturou Babilônia daquele modo, seria correto dizer que se houver uma revisão de Patriarcas e Profetas que endosse, numa sentença casual, essa velha opinião,--a revisão seria feita para harmonizar-se com fatos recentemente descobertos?

A. G. Daniells: Creio ser essa a posição que a Irmã White tomaria, ser o que ela fazia. Nunca entendi que ela atribuísse infalibilidade às citações históricas.

W. W. Prescott É interessante que mesmo um adepto da Alta Crítica, como George Adams Smith concorda com Heródoto (?) quanto a isso.

O Irmão Daniells falava-nos sobre a questão das evidências físicas exteriores. Uma dessas evidências tem sido que os olhos estavam abertos, como se lembrarão, e a passagem sempre referida está no capítulo 24o de Números, para demonstrar que se harmoniza com o fato. Mas se lermos a Versão Revisada, descobrirão que reza: "E ele apanhou sua parábola, e declarou, Balaão o filho de Beor, e disse, e o homem cujos olhos estavam fechados disse:" Neste texto consta exatamente o sentido oposto. Então eu não gostaria de empregar isto como argumento de que os olhos do profeta estavam abertos.

A. G. Daniells: É isso que quero dizer quando me refiro a questões secundárias.

H. C. Lacey: Em nossa consideração do espírito de profecia, não está seu valor para nós mais na luz espiritual que lança sobre nossos corações e vidas do que na exatidão intelectual em questões teológicas e históricas? Não deveríamos tomar esses escritos como a voz do Espírito aos nossos corações, antes que como a voz do professor para as nossas cabeças? E não é a prova final do espírito de profecia seu valor espiritual, antes que sua exatidão histórica?

A. G. Daniells: Sim, penso assim.

J. N. Anderson: Dispor-se-ia em explicar as coisas como o fez esta manhã? Explicaria que não crê que os Testemunhos devam ser tomados como recurso final em questões de dados históricos, etc., de modo a justificar uma posição?

A. G. Daniells: Quem realiza o ensino na escola sobre o espírito de profecia? É o professor de Bíblia? Como apresentam essa questão diante dos estudantes?

C. L. Taylor: Tanto os professores de Bíblia quanto os de História . . .

W. H. Wakeham: Isso vêm à tona em toda aula de Bíblia.

H. C. Lacey: Não seria uma coisa esplêndida se uma pequena brochura fosse escrita expressando em estilo claro, simples e objetivo os fatos tais como os temos,--fatos simples, sagrados,--de modo que os puséssemos nas mãos de estudantes inquiridores?

Voz: Nossos inimigos o publicariam por toda parte.

C. L. Benson: Creio que seria uma coisa esplêndida se nossos irmãos fossem um pouco conservadores quanto a essas coisas. Tivemos um homem que veio a nossa União e passou uma hora e meia sobre as evidências do espírito de profecia mediante a Irmã White. A impressão que transmitiu foi de que praticamente cada palavra que ela proferiu, e cada letra que escreveu, de caráter pessoal ou não, era de divina inspiração. Essas coisas tornam a situação extremamente difícil para os professores e pastores.

W. G. Wirth: Desejo reforçar o que o Prof. Lacey suscitou. Desejo que os Srs. da Associação Geral produzam alguma coisa para nós, porque somos os que sofrem.

W. W. Prescott: Tenho certo conhecimento de que um apelo bastante insistente foi feito quanto a isso vindo de seu escritório [de E.G.W., subentendido -- N.T.] para que se emitisse uma declaração do tipo, e não quiseram fazê-lo.

C. P. Bollman: Isso não foi dirigido a ela, porém.

W. W. Prescott: Não, mas foi feito àqueles que lidavam com os seus manuscritos.

A. G. Daniells: Algumas dessas declarações, como a que o Irmão Wilcox leu aqui esta manhã, foram ressaltadas uma porção de vezes, e o Irmão White sempre tomou uma posição bastante sensata.

W. W. Prescott: O Irmão Wilcox tinha uma carta da própria Irmã White que ele leu.

A. G. Daniells: Quando essas coisas estavam sob profunda controvérsia, W. C. White, por sua mãe, remeteu coisas que tínhamos nos nossos arquivos aqui e que modificou isso em grande medida, e ajudou a suavizar a superfície e estabelecer um terreno firme sobre que nos firmar. Não sei, mas que tal se a Comissão da Associação Geral designasse uma Comissão para fazer isto, e ter homens responsáveis e confiáveis que as pessoas não questionem absolutamente assumindo isso e trazendo à lume esses fatos? Parece-me que em nossas escolas deveria haver um acordo entre os professores. Os professores de Bíblia e História e outros que lidam com essas coisas deveriam reunir-se e ter suas histórias e ensino compatibilizados, se possível. A verdade deveria ser dada a esses estudantes, e quando se oferece a verdade a eles, estarão bem fundamentados e estabelecidos nisso sem problema. Mas quando essas opiniões errôneas são-lhes transmitidas, eles obtêm uma falsa idéia e então ocorre o perigo quando um homem honesto leva o lado verdadeiro e declara a sua posição.

W. E. Howell: Parece-me que o ponto é de grandíssima importância. Eu tenho me sentido um tanto perplexo sobre essa questão. Temos conversado sobre essas coisas com bastante liberdade e franqueza aqui . . . e penso que os professores aqui estão satisfeitos quanto ao lugar que deve ser dado ao espírito de profecia em sua relação com o seu trabalho. Mas esses professores, quando retornam a seus locais de trabalho, terão todo tipo de perguntas a deparar, e tem sido uma dúvida para mim sobre até que ponto um professor deve ir com uma classe de jovens ou com um corpo indiscriminado para tratar e tentar trazer às claras as coisas sobre que ouviram aqui e têm recebido e crido por eles próprios. Creio ser aí onde reside a dificuldade. Temos somente dois professores aqui de um corpo docente inteiro. Algum outro docente pode não ter-se esclarecido sobre essas coisas. Pode haver professores que estão se empenhando em ensinar ciências a partir do espírito de profecia; ou outro professor que não teve o benefício desta discussão e pode manter outro ponto de vista. E isso realmente coloca esses professores numa situação deveras difícil. Se houver algo a fazer em termos de colocar alguma coisa nas mãos dos professores, de modo a que possam oferecer a verdadeira representação neste assunto, julgo que seria uma grande ajuda.

W. Prescott: Pode explicar como dois irmãos podem discordar sobre a inspiração da Bíblia, um apegando-se à inspiração verbal e o outro opondo-se a isso, e contudo não criar-se qualquer distúrbio na denominação, em absoluto. Essa situação está bem aqui diante de nós. Mas se dois irmãos assumirem a mesma atitude sobre o espírito de profecia, um apegando-se à inspiração verbal e o outro descrendo disso, aquele que não se atém à inspiração verbal é desacreditado.

F. M. Wilcox: Acredita que um homem que não crê na inspiração verbal da Bíblia acredita na Bíblia?

W. W. Prescott: Eu não tenho qualquer problema sobre isso em absoluto. Eu próprio tenho uma posição diferente. Se um homem não acredita na inspiração verbal da Bíblia, ele ainda está em boa posição; mas se ele declara que não crê na inspiração verbal dos Testemunhos, ele é desconsiderado de imediato. Creio ser essa uma situação nada salutar. Coloca o espírito de profecia acima da Bíblia.

W. G. Wirth: De fato, este é o meu maior problema. Eu certamente serei desmerecido se voltar e apresentar este ponto de vista. Apreciaria ver alguma declaração publicada e divulgada pelos que lideram esta Obra de modo a que se isso tiver que aflorar, haja alguma autoridade respaldando, porque estou antecipando muita confusão a respeito dessa coisa. Gostaria de ver algo sendo feito, porque essa educação está avançando, e nossos estudantes estão sendo enviados [aos campos] com a idéia de que os Testemunhos são verbalmente inspirados, e ai do homem lá fora onde eu estou que não se enquadrar nisso.

Agora, quanto à reforma de saúde: Com freqüência um estudante chega a mim e cita o que a Irmã White afirmou sobre manteiga. Mas servimos manteiga em nossas mesas o tempo todo. E eles citarão o uso de carne, como não deve ser consumida sob hipótese alguma. E eu sei que isso é irracional, havendo ocasiões em que se faz necessário comer carne. Que faremos a respeito disso? Gostaria de obter uma pequena luz sobre alguns desses detalhes, a respeito de se devemos assumir tudo [o que é escrito por E.G.W.] plenamente.

A. G. Daniells: Estou disposto a responder a parte disso, pois tenho defrontado isso mil vezes. Tomemos essa questão da reforma pró-saúde. É bem sabido a partir dos próprios escritos e de contatos pessoais com a Irmã White, e pelo senso comum, que em viagens e em conhecimento de diferentes partes do mundo, que a instrução apresentada nos Testemunhos nunca teve a intenção de ser um regulamento integral e universal para o comer e beber das pessoas, e que se aplica a vários indivíduos segundo suas condições físicas e de acordo com a situação em que se encontram. Sempre tenho explicado isso desse modo aos nossos pastores em reuniões ministeriais. Tivemos uma reunião de pastores na Escandinávia, e havia lá um homem da "terra do sol da meia-noite", em Hammerfest, onde nunca nasce uma banana, maçã ou pêra, e dificilmente qualquer coisa verde. Lá é neve e tempo frio quase perene, e as pessoas vivem em grande medida à base de peixe e vários alimentos de origem animal que ali obtêm. Tínhamos enviado um enfermeiro de Christiania para lá como missionário. Ele tinha uma idéia estrita sobre regime alimentar segundo os Testemunhos, e não tocaria num peixe ou num naco de cervo, nem qualquer espécie de alimento cárneo, e estava ficando empobrecido; porque os missionários que são enviados não têm muito dinheiro, e não podem importar frutas frescas; e isso foi no tempo em que mesmo os alimentos enlatados não eram muito exportados. O indivíduo quase morreu de inanição. Ele veio para assistir às reuniões, e estava quase tão branco como o seu vestido [dirigindo-se à Irmã Williams]. Quase não tinha mais qualquer sangue nas veias. Eu conversei com ele, e disse: "Irmão Olson, o que se dá com o senhor? Teremos que levá-lo de volta se não melhorar. O irmão não tem glóbulos vermelhos no sangue". Conversei com ele por um pouco, e finalmente perguntei-lhe: "De que se alimenta?"

"Bem", ele disse, "vivo em boa parte do vento setentrional".

Eu disse: "Certamente o senhor se parece bem com ele".

Seguimos conversando, e descobri que o homem não comia mais do que batatas e alimentos fibrosos,--uma dieta limitada. Dei-lhe uma bronca buscando inspirar-lhe todo o terror que pudesse por sua tola prática.

Voz: E conseguiu causar-lhe alguma impressão?

A. G. Daniells: Sim, consegui. E tive o auxílio de outro irmão nisso. Dissemos àquele homem que ele seria sepultado ali se tentasse viver daquela forma. Falamos-lhe de modo direto a respeito. Quando retornei a este país falei com a Irmã White a respeito, e ela disse: "Por que as pessoas não usam o bom senso? Ora, não sabem que somos governados pelos lugares onde estamos localizados?" Vocês encontrarão num pequeno testemunho uma advertência expressa, modificando as declarações extremadas que foram feitas.

M. Wilcox: A Irmã White afirma numa edição do Instructor que há algumas classes de pessoas às quais não diria que não comessem carne.

A. G. Daniells: Há homens e pastores muito conscienciosos que temem muito comer algo que não deveriam. Nesse aspecto mesmo é que Paulo declara que o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça e paz; e estamos trabalhando e tentando marchar para o reino tanto no terreno das obras por comer ou não comer quanto por qualquer outra coisa neste mundo. Jamais podemos diminuir o vegetarianismo como o caminho para o céu. Tenho visitado a Índia onde eles são bastante estritos sobre sua alimentação, mas eles não obtêm a justificação dessa maneira. . . . Vocês tomam homens que nunca permitiram que um pedaço de alimento cárneo passasse por seus lábios, e alguns deles são os homens mais tirânicos e brutais***, e quando tentamos alcançá-los com o evangelho, temos que dizer-lhes que esse não é o caminho de Deus, que terão de vir e crer no Senhor Jesus Cristo para terem Sua justiça imputada sobre si mediante a confissão, o perdão e tudo o mais. Temos pessoas entre nós que estão tão certamente em perigo de tentar estabelecer essa justiça pelas obras na questão do regime alimentar quanto o mundo tem visto em qualquer coisa. Vocês sabem, a partir do que revelou a Irmã White sobre a questão da justiça, que não era o seu propósito desmerecer o comer e o beber no caminho para o céu. Isso tem o seu lugar. É importante, e eu não gostaria de ver esta denominação escorregando à posição de outras denominações; . . . Não julgo que se teve a precaução apropriada em difundir algumas dessas coisas, e eu o disse à irmã White.

Sra. Williams: O senhor quer dizer, em publicá-los?

A. G. Daniells: Sim, quando eles foram escritos. Disse à Irmã White que me parecia que se as condições nas regiões árticas e no coração da China e outros lugares tivessem sido levadas em consideração, algumas daquelas coisas teriam sido alteradas. "Ora", ela disse, "sim, se as pessoas não empregarem o seu melhor juízo, então, logicamente, teremos que estabelecer-lhes isso". Parecia-me tão sensato. A Irmã White nunca foi fanática, nunca era extremista, mas uma mulher equilibrada e de mente aberta. Dou esse parecer com base em 40 anos de associação com ela. Quando estávamos lá no Texas, e o velho Irmão White estava quebrantado, essa mulher apanhava o mais belo novilho todo dia para comer, e minha esposa o preparava; e ele sentava-se e comia um pouco e dizia: "Oh, Ellen, é isso de que eu preciso!" Ela não o repreendia para fazê-lo viver num regime de amido! Sempre a julguei equilibrada. Há algumas pessoas que são extremistas, fanáticas. Não creio que devemos permitir a essas pessoas estabelecerem a plataforma e dirigirem esta denominação. Não me proponho a fazê-lo, de minha parte. E, contudo, creio que devemos usar toda precaução e todo cuidado possível para a manutenção da boa saúde. E, irmãos, tenho tentado fazê-lo, mas não tenho vivido toda a minha vida segundo o regime mais estrito ali estipulado. Tenho necessidade de viajar por todo este mundo, e como vocês sabem, tenho que expor-me a todo tipo de germes de enfermidade. Tenho tido que viver segundo um regime bem restrito em lugares em minhas viagens e tenho que viver sobre rodas, e sob grande pressão, e foi predito quando entrei nesse regime em 1901 que uma década acabaria comigo, e que eu seria um homem quebrantado na sepultura. Era desse modo que meus amigos se referiam a mim, e tinham pena de mim, e se lamentavam de que assumi esse cargo; mas eu disse a mim próprio: "Pela graça de Deus, viverei em toda forma possível em retidão até o ponto de meu conhecimento, para conservar minhas forças". Este é o meu 19o ano, e não estou quebrantado, nem na sepultura. Estou forte e sinto-me bem. Estou cansado, mas posso obter repouso.

Tenho tentado ser honesto e veraz para com os meus sentimentos do que era o correto a fazer, e isso me tem mantido bem e vigoroso. Essa é a base sobre que me proponho a trabalhar. Não pretendo permitir que extremista nenhum estabeleça a lei para mim quanto ao que comer no coração da China. Pretendo empregar meu bom senso quanto ao que comer nesses lugares onde não se pode ou dificilmente se consegue um vegetal.

Sra. Williams: No interior da África, devíamos cozer tudo quanto comíamos a fim de matar os gérmens.

A. G. Daniells: . . . Entendo por reforma pró-saúde rejeitar aquilo que sei prejudicar-me e empregar o que sei que me fortalece e me mantém na melhor forma física para o serviço e trabalho duro. Essa é minha reforma pró-saúde. Maçãs cruas são adequadas para pessoas que têm a digestão ideal para elas; mas se uma pessoa não tem esse tipo de digestão, deve estabelecer a lei--nenhuma maçã crua para si.

Essa é a forma em que uma porção de coisas foi introduzida nos Testemunhos. Muitas delas foram escritas para indivíduos em várias condições de saúde, e então apressadamente acrescentadas aos Testemunhos sem apropriada alteração. Isso não quer dizer que sejam coisas falsas, mas sim que não se aplicam a todos os indivíduos igualmente por todo o mundo. E você não pode estabelecer um regime de reforma pró-saúde para todos igualmente devido a diferentes condições físicas que as pessoas têm. É isso o que digo em encontros de pastores e não julgo que destruo a força da mensagem de modo algum, somente aos extremistas.

Irmão Waldorf: Não tenho enfrentado dificuldade por mais de vinte anos com o espírito de profecia ou com a Bíblia. Quanto mais estudo ambos, mais firmemente me faço convicto sobre essa plataforma. Li todo o material da alta crítica . . . e o outro lado da questão. Há 50.000 diferentes maneiras de ler o texto bíblico. Há muitos erros cometidos durante as transcrições. Agora, em matéria de complicação histórica, tomo a Bíblia e o espírito de profecia de forma idêntica. . . .

Nunca sustentei que o espírito de profecia fosse infalível. Mas os estudantes vêm a mim sob influência de diferentes professores, abrigando diversas opiniões. Um chega e diz que o Prof. Lacey ensinou dessa maneira, outro vem e diz que o Prof. Johnson ensinou-lhe doutro modo. Há muitos que entram na Escola de Medicina procedentes de diferentes ensinamentos. Eles não sabem se cada palavra do espírito de profecia é inspirada ou não. Eu os ensino dessa maneira: Quando esta mensagem teve o seu início, Deus trouxe à existência este dom de profecia para a igreja, e mediante este dom Deus tem aprovado as principais doutrinas que mantemos desde 1844. Eu, pelo menos, mantenho que o dom do espírito de profecia foi-nos dado a fim de estabelecer o molde, a fim de que não confiássemos em raciocínio humano ou na erudição moderna, pois creio que a erudição moderna tem ido à falência quando se vale do grego e hebraico.

Quanto à alimentação cárnea, eu não tenho tocado em carne há vinte anos; mas eu compro carne para a minha esposa. Freqüentemente vou até um açougue e obtenho o melhor que eles têm a fim de mantê-la em vida. Eu jamais empregarei os Testemunhos como um martelo de pressão sobre o meu irmão.

A. G. Daniells: Direi uma coisa: Uma grande vitória será conquistada se assumirmos um espírito liberal de molde a tratar os irmãos que diferem de nós quanto à interpretação dos Testemunhos do mesmo modo cristão em que os tratamos quando diferem de nós no que diz respeito à interpretação da Bíblia. Isso será um grande ganho que valerá a pena. . . . Eu não peço que as pessoas aceitem os meus pontos de vista, mas gostaria de ter a confiança dos irmãos onde diferimos em interpretação. Se pudermos engendrar esse espírito, será uma grande ajuda; e creio que temos que ensinar corretamente em nossas escolas.

Suponham que os estudantes venham até vocês com perguntas sobre a Bíblia sobre as quais não sabem como agir,--ou será que sempre sabem? Eu gostaria de dirigir-me a um professor por um ano que me explicasse tudo aqui que me deixa confuso! O que fazem quando estudantes vão até vocês com tais perguntas?

W. H. Wakeham: Digo-lhes que não sei, e não perco a confiança deles por isso.

A. G. Daniells: Bem, quando chegam a vocês com algo desconcertante do espírito de profecia, por que não dizer, como disse Pedro, que há coisas difíceis de entender? Não creio que isso destruirá a confiança das pessoas. Mas temos desenvolvido a idéia de que precisamos assumir pleno e completo conhecimento de tudo a respeito do espírito de profecia e tomar uma posição extremada a fim de lhe sermos leais e verazes.

W. E. Howell: . . . O Irmão Daniells e o Irmão Prescott e outros vieram aqui conosco e têm-nos falado muito francamente, e estou certo de que todo mundo aqui dirá que não acobertaram nada. Eles não ocultaram de vocês nada sobre que hajam perguntado para que pudessem dar-lhes instrução a respeito dessa questão. Não duvido ser a experiência de vocês, como é a minha, quando saio de Washington, ouvir dizer que o Irmão Daniells ou o Irmão Prescott não crêem no espírito de profecia.

A. G. Daniells: E o Irmão Spicer, também.

W. E. Howell: Sim, e o Irmão Spicer. Sinto-me confiante de que, ao saírem daqui deste concílio, poderão ser de grande ajuda ao deixar o povo certo quanto a estas coisas, e creio ser nosso privilégio fazê-lo, irmãos, para ajudar as pessoas sobre esses pontos. Muitas pessoas são sinceras e honestas em sua posição, com base no que ouviram. Creio ser nosso dever ajudar tais pessoas tanto quanto pudermos ao encontrá-las.

C. L. Benson: Esse assunto se findará aqui? Com base no que o Irmão Daniells declarou, sei o que isso significará para algumas de nossas escolas e para nossos homens da Associação Geral. Creio que seria injusto para nós, como professores, retornar e fazer qualquer declaração. Cartas já têm-nos chegado indagando a respeito dos homens da Associação Geral quanto à interpretação do espírito de profecia. Não creio ser justo que saiamos e tentemos declarar a posição de nossos homens da Associação Geral. Por outro lado, sei dos sentimentos e doutrina ensinados em nossas associações, e esses são os mestres de Bíblia para o povo; e se nossos professores e Bíblia e história tomarem essa posição liberal sobre o espírito de profecia, nossas escolas estarão em total desarmonia com o campo. . . . Lá fora no campo temos ressaltado a importância do espírito de profecia mais do que da Bíblia, e muitos de nossos homens estão praticando isso direto. Eles contam dos maravilhosos fenômenos, e muitas vezes apresentam todo o sermão com base no espírito de profecia, em vez da Bíblia. Se ocorre uma ruptura entre nossas escolas e o campo, estaremos em posição difícil.

T. M. French: Creio que ser-nos-ia de grande auxílio se alguma declaração geral fosse editada, e se algumas das coisas que foram trazidas à luz pudessem ser dadas, demonstrando que não estamos mudando nossa posição, que estamos considerando o espírito de profecia como tem sido considerado o tempo todo. Creio que ajudaria a resolver a situação em nossas associações e escolas. . . .

W. E. Howell: O próximo tópico que temos é uma consideração de como ensinar o espírito de profecia em nossas escolas. Em nossa recente convenção educacional geral propiciamos um trabalho semestral no currículo nesse assunto. Creio que devemos ter um intervalo de dez minutos, e então retomar esse tópico, o que dará oportunidade para mais perguntas nesse propósito.

__________
***N.T.: Biógrafos de Adolfo Hitler, o brutal chefe do Nazismo que destruiu milhões de judeus e ciganos nos famigerados campos de concentração, informam que ele era vegetariano.

PARTE 3

A CONFERÊNCIA BÍBLICA DE 1919 -- III
EM DEBATE: A Inspiração do Espírito de Profecia em Relação à Inspiração da Bíblia (Sessão de 1o de agosto de 1919).

W. E. Howell [Presidente]: O tópico para esta hora, como programado . . . é, em certa medida, a continuação de nossas considerações sobre o espírito de profecia, e o tema da inspiração relativo a isso, como relacionado com a inspiração da Bíblia. Esse momento não tem o propósito de tornar-se um discurso formal, ocupando todo o período, mas o Irmão Daniells conduzirá o tópico, e depois, segundo expressou, deseja que tenhamos uma espécie de mesa-redonda em que juntos estudaremos os temas.

A. G. Daniells: Irmão Presidente, creio ter havido um mal-entendido entre nós. Eu protestei contra tomar um tópico pesado outro dia, sob circunstâncias, e o descartei da mente, e tenho estado pensando segundo outra linha de raciocínio, o de treinamento pastoral, e uma discussão adicional da questão que temos diante de nós. Não me sentiria livre, sob essas circunstâncias, de oferecer uma palestra sobre o assunto que entendo ter sido desejado.

Como sabem, há duas opiniões mantidas por homens eminentes com respeito à inspiração verbal da Bíblia. . . Um homem--erudito, consagrado, zeloso, um crente pleno na Bíblia em todo sentido da palavra,--crê que foi uma revelação da verdade aos escritores, e que eles tiveram permissão de declarar essa verdade da melhor forma que pudessem. Outro homem--igualmente erudito, consagrado e zeloso em sua fé--crê que foi uma inspiração ou revelação palavra por palavras, que as reais palavras foram dadas,--que cada palavra no original, como escrito pelos profetas desde Moisés até Malaquias, foi-lhes dada pelo Senhor. Esses homens diferiam, e diferem honesta e sinceramente; e têm os seus seguidores entre nós, bem aqui na Associação, de ambas as posições; e não vejo por que um homem em minha posição, com o meu conhecimento dessas coisas, tentando apresentar provas sobre isso. Eu não desejo fazer isso. Permaneceríamos todos com a mesma opinião, penso, como mantemos agora; assim, desejo rogar-lhes que me permitam dispensar essa parte e seguir diretamente à outra questão de treinamento pastoral ou abrir espaço para mais perguntas e discussões da matéria que temos diante de nós. Sinto-me mais à vontade assim, pois ao longo de todos esses anos, desde que a controvérsia de Battle Creek teve início, tenho defrontado essa questão dos Testemunhos. Já encontrei todos os duvidadores, os principais, e lidei com isso em institutos pastorais, e tenho falado vez após vez até chegar ao ponto de sentir-me inteiramente familiarizado com o tema, esteja certo ou não. . . .

W. E. Howell: . . . Não desejo que o Irmão Daniells sinta que nos está desapontando em qualquer sentido esta manhã; e se entendo os anseios dos professores, tem sido não de que ele deva discutir tanto a questão técnica da inspiração verbal ou inspiração da revelação da verdade da Bíblia, mas que nos dê instrução adicional no que tange à inspiração do espírito de profecia e sua relação com a da Bíblia. Nada tenho mais a apresentar nesse campo, mas segundo os professores se expressaram a mim, senti que fosse bom considerar alguns aspectos dessa questão um pouco mais, particularmente o uso de escritos, cartas, palestras não publicadas, etc. à luz do que foi mencionado aqui outro dia. A própria Irmã White disse que se desejássemos saber o que o espírito de profecia declarou a respeito de algo, deveríamos ler seus escritos publicados. Essa é uma questão que julgo que os professores têm em mente, Irmão Daniells.

F. M. Wilcox: Eu tenho apreciado grandemente estas discussões. Apreciei a noite da semana passada quando a questão do espírito de profecia foi considerada. Apreciei bastante a palestra do Pastor Daniells a respeito da questão e creio que a posição que ele adotou sobre a questão concorda plenamente com meu próprio ponto de vista. Tenho sabido por longos anos a forma em que as obras da Irmã White foram compostas e seus livros compilados. Nunca acreditei na inspiração verbal dos Testemunhos. Devo dizer, contudo, que na última noite de quarta-feira e também desde então, alguns comentários foram expressos sem apropriada cautela, e eu questionaria o efeito dessas declarações e posições lá no campo. Sei que circulam comentários por Takoma Park a respeito de posições aqui assumidas, e essa mesma situação ocorrerá no campo. Tal como o Irmão Wakeham sugeriu outro dia, creio que temos de lidar com uma questão muito sensível, e eu detestaria terrivelmente que se observasse uma influência dominando o campo e em qualquer de nossas escolas de molde a diminuir os Testemunhos. Há grande perigo de uma reação, e eu realmente me confesso preocupado.

Tenho ouvido questões suscitadas aqui que me deixaram a impressão de que as mesmas fossem levantadas em nossas salas de aula quando voltarmos a nossas escolas iríamos ter séria dificuldade. Creio que há muitas questões que devemos reter e não discutir. Não leciono numa escola, conquanto tenha de fato lecionado Bíblia por 13 anos numa escola preparatória de enfermeiras, onde contava com um grande número de jovens; mas não posso conceber que seja necessário que respondamos a cada pergunta que nos é apresentada por estudantes ou outros, ou ser levados a uma situação em que tomemos uma posição que acarreta diminuição da fé. Creio que os Testemunhos do Espírito de Deus são um grande trunfo para esta denominação, e creio que se destruirmos a fé neles, iremos destruir a fé no próprio fundamento de nossa obra. Devo dizer que acompanho com grande preocupação a influência que derivará desta reunião, e das perguntas que foram ouvidas sendo aqui levantadas. E a menos que essas perguntas possam ser tratadas mui diplomaticamente, julgo que iremos enfrentar sérios problemas. Certamente espero que o Senhor nos dê sabedoria de modo a que saibamos o que dizer e fazer ao depararmos essas coisas no futuro.

C. L. Benson: Tenho-me preocupado nesse mesmo sentido; e a pergunta que me surge à mente vai um pouco além do que foi aqui levantado; mas parece-me quase um passo lógico. Trata-se do seguinte: Se ocorrem tais incertezas com respeito a nossa posição histórica, e se os Testemunhos não devem ser dignos de confiança em lançar uma grande medida de luz sobre nossas posições históricas, e se o mesmo é verdade com referência a nossa interpretação teológica de textos, então como podemos coerentemente depositar confiança implícita na direção que é dada com respeito a nossos problemas educacionais, e nossa Escola de Medicina, e mesmo nossa organização denominacional? Se há uma definida liderança espiritual nessas coisas, então como podemos coerentemente deixar de lado os Testemunhos ou fazê-lo parcialmente no que toca ao aspecto profético e histórico da mensagem? E colocar essas coisas na base do trabalho de pesquisa? Essa indagação está na minha mente, e estou confiante de que está nas mentes de outros.

Waldorf: Isso me está na mente. Por isso ressaltei esta manhã aquela ilustração no quadro-negro--aqueles três rios, história, espírito de profecia, e a Bíblia.

J. N. Anderson: Julguei quando encerramos o assunto outro dia, que a principal questão era como nós como professores devemos lidar com esta questão quando nos postarmos diante de nossos estudantes. Creio que chegamos a uma opinião bem unânime a respeito dessa questão entre nós aqui, e temos uma postura bem conjunta, eu diria, quanto a que posição ocupam os Testemunhos,--sua autoridade, relação com a Bíblia, e assim por diante,--mas a indagação em minha mente, e na mente de alguns outros também, creio, é o que nós como professores faremos quando nos apresentarmos diante de nossas classes e alguma questão relacionada com História surgir, como as mencionadas aqui, onde temos decidido que os escritos da Irmã White não são o ponto final? Dizemos haver muitos fatos históricos que cremos dever serem decididos pela erudição, que a Irmã White nunca reivindicou ter a palavra final em questões históricas que aparecem em seus escritos. Estamos seguros em apresentar isso aos nossos estudantes? Ou devemos manter isso em oculto? E podemos manter algo nos porões de nossa mente sobre que estamos absolutamente seguros, e sobre que a maioria dos irmãos tem a mesma posição,--podemos reter essas coisas e ser verazes para com nós mesmos? Ademais, estamos seguros em fazê-lo? Estará bem deixar nosso povo em geral prosseguir apegando-se à inspiração verbal dos Testemunhos? Quando o fazemos, não estamos nos preparando para uma crise que será bastante séria algum dia? Parece-me que a melhor coisa que temos a fazer é cautelosa e muito cuidadosamente educar nosso povo para ver exatamente onde devemos nos posicionar de fato para sermos protestantes coerentes, sermos coerentes para com os próprios Testemunhos, e sermos coerentes com o que sabemos dever fazer, como homens inteligentes, segundo o que temos decidido nestas reuniões. . . .

Estou preocupado com a fé de moços e moças que vêm para as nossas escolas. Eles devem ser nossos líderes, e creio que estes são tempos em que devem receber o melhor dos fundamentos que lhes pudermos oferecer. Devemos dar-lhes as crenças mais sinceras e honestas que temos em nossos corações.

Falo com certo sentimento porque isso se aproxima de minhas convicções de que algo deveria ser feito aqui neste lugar,--aqui é onde isso pode ser feito--para salvaguardar nosso povo, educá-lo e trazê-lo de volta e levá-lo a firmar-se sobre o único fundamento que pode ser conseguido ao avançarmos e progredirmos.

C. L. Taylor: Com respeito à inspiração verbal dos Testemunhos, eu diria que ouvi mais sobre isso aqui num só dia do que jamais antes em minha vida toda. Creio que formamos uma grande montanha de dificuldade contra a qual sair e lutar. Não creio que nosso povo em geral creia na inspiração verbal dos Testemunhos. Creio que a idéia geral de nosso povo é de que os Testemunhos são os escritos de uma irmã que recebeu luz de Deus. Quanto a inspiração verbal, creio que têm uma idéia mal definida. Acredito que eles entendem que de algum modo Deus lhe concedeu luz, e ela registrou por escrito, e não sabem o que significa inspiração verbal.

Mas, na verdade, vejo muito sentido na pergunta que o Prof. Benson suscitou: se devemos pôr de parte o que a Irmã White disse interpretando História, ou o que poderíamos denominar filosofia da História, como indigna de confiança, e também deixar de lado na mesma base exposições de passagens bíblicas, a única conclusão natural para mim, e provavelmente para grande parte dos demais, seria de que a mesma autoridade é indigna de confiança com respeito a organização, com respeito a panteísmo, e qualquer outro assunto de que tenha tratado;--de que ela pode ter dito a verdade, mas é preferível tomarmos todos os dados históricos de que nos podemos valer para ver se disse a verdade ou não. Isso é algo que eu gostaria de ver em discussão. Não creio que iremos até a base da questão a menos que respondamos à indagação do Prof. Benson.

A. G. Daniells: Devemos considerar alguns aspectos como resolvidos, e passar adiante? Tomemos a questão da inspiração verbal. Creio estar muito em harmonia com o que o Irmão Taylor disse, de que entre a maior parte de nosso povo não há dúvida. Não é coisa agitada. Eles não o compreendem, e não entendem os aspectos técnicos da inspiração da Bíblia, tampouco. E o poder da Bíblia e sua atração sobre a raça humana não depende de um detalhe técnico para a aceitação dela, seja verbalmente inspirada ou inspirada na verdade. Os homens que mantinham posições diretamente opostas têm a mesma fé na Bíblia. Não permitirei que um homem que crê na inspiração verbal da Bíblia diminua minha fé na Bíblia porque eu não concordo com ele,--não consentirei nisso nenhum instante. Conheço minha própria fé nela, sei que tenho fé suficiente nela para obter o perdão de meus pecados e companheirismo com o meu Senhor e a esperança do céu. Eu sei isso, e um homem que mantém uma opinião diversa não precisa depreciar minha fé em vista de que não mantenho o seu ponto de vista. Eu não desmereço a fé de outro homem ou sua postura diante de Deus absolutamente porque ele sustenta opinião diferente. Creio que poderíamos argumentar sobre a inspiração da Bíblia . . . até o fim e não alcançar a mesma opinião, mas todos temos a mesma confiança nela, e têm a mesma experiência, e todos chegam ao mesmo lugar afinal.

Mas agora, com referência aos Testemunhos: penso que mais malefício pode ser feito aos Testemunhos por reivindicar sua inspiração verbal do que com a Bíblia. Se me perguntarem sobre a lógica por detrás disso poderia levar algum tempo para esclarecer, e eu poderia não ser capaz de satisfazer todas as mentes; mas se me indagarem por experiência prática, posso oferecer-lhes muita.

F. M. Wilcox: Porque sabemos como os Testemunhos foram compostos, e nada sabemos sobre a Bíblia.

A. G. Daniells: Sim, este é um ponto. Nós realmente sabemos, e não resolve nada que alguém se levante e fale sobre a inspiração verbal dos Testemunhos, porque quem quer que tenha visto o trabalho [de sua composição] sendo realizado sabe melhor. . . .

M. E. Kern: Não estou tão seguro de que alguns dos irmãos estão corretos ao dizerem que todos estamos concordes sobre esta questão. Eu vim aqui outro dia pela primeira vez para assistir à Conferência, e ouvi o mesmo homem na mesma palestra declarar que não podemos depender dos dados históricos que são dados no espírito de profecia, e depois assegurar sua absoluta confiança no espírito de profecia e nos Testemunhos. E daí, um pouco adiante, havia algo mais sobre que ele não concordava. Por exemplo, o testemunho positivo contra manteiga foi mencionado, e ele explicou que há exceções a isso. Mais tarde ele novamente declarou: "Tenho absoluta confiança na inspiração do espírito de profecia". Minha pergunta é: qual é a natureza da inspiração? Como podemos sentir, e crer, e saber que há uma incoerência ali,--algo que não está certo,--e ainda crer que o espírito de profecia é inspirado? Percebeu o problema?

A. G. Daniells: Sim, captei perfeitamente a sua pergunta!

M. E. Kern: Essa é a dificuldade que temos em explicar isso aos jovens. Podemos ter nós próprios confiança, mas é difícil fazer outros crerem se expressamos esse ponto de vista mais liberal. Posso antever como alguns tirariam vantagem dessa posição liberal e sair por aí comendo carne em toda refeição, e dizer que parte dos Testemunhos não são dignos de confiança.

Pergunta: Ele não poderia fazer o mesmo se cresse na inspiração verbal?

M. E. Kern: Não de forma tão coerente. Se ele crê que cada palavra é inspirada, não poderia coerentemente sentar-se e comer carne.

A. G. Daniells: Mas eu tenho visto quem faça isso.

M. E. Kern: Mas não conscienciosamente. Agora tome um homem que mergulha nas Escrituras, e lê grego e hebraico, e sai por aí dizendo às pessoas que se entendesse o grego não obteria esse sentido da Bíblia, ou se a Irmã White entendesse o grego, não diria aquilo. Esse homem pode encontrar grande liberdade segundo esse ponto de vista liberal. Agora, a questão que me domina a mente é esta: Na natureza mesma do caso, não haveria um elemento humano na inspiração, porque Deus tinha que falar mediante instrumentos humanos? E podemos nós, seja na Bíblia ou nos Testemunhos, apegar-nos a uma palavra e estabelecer uma regra e prender a consciência de um homem sobre uma palavra, em vez da opinião geral do escopo inteiro de interpretação? Não creio que um homem pode crer na inspiração geral do espírito de profecia e ainda não crer que o vegetarianismo é o melhor para a humanidade. Posso entender como esse testemunho foi escrito para indivíduos, e há exceções à regra, e como a Irmã White em sua fraqueza humana poderia cometer um erro ao declarar uma verdade, e ainda não destruir a inspiração do espírito de profecia; mas a questão é como apresentar essas questões ao povo. O Irmão Taylor pode não ver dificuldade, mas eu vejo grande dificuldade, não somente em lidar com os nossos estudantes, mas com o nosso povo em geral.

A. G. Daniells: Sobre a questão da inspiração verbal?

M. E. Kern: A pergunta do Irmão Benson vem bem a propósito. Tivemos um concílio aqui poucas semanas atrás, e estabelecemos princípios de educação bem justos, e também algumas tecnicalidades sobre educação, e baseamos nossas conclusões sobre a autoridade do espírito de profecia, como foi escrito. Agora chegamos às questões históricas, e dizemos: "Bem, a Irmã White estava equivocada sobre isso, e ela precisa ser revisada". O indivíduo que não percebe bem as questões levantadas no concílio educacional poderá pensar: "Bem, possivelmente a Irmã White esteja equivocada com respeito à influência das universidades", e é difícil convencê-lo de que ela estava certa, talvez. Desejo, de algum modo, chegar, eu próprio, a um fundamento coerente.

G. B. Thompson: Isso não seria verdade com respeito à Bíblia?

M. E. Kern: É por isso que proponho que discutamos a natureza da inspiração. Tenho uma idéia de que a Irmã White foi uma profetisa como Jeremias e que com o tempo a sua obra se reconhecerá como a de Jeremias. Eu me pergunto se Jeremias, em seu tempo, não proferiu muitas palestras e talvez alguns escritos que foram, como Paulo declarou, segundo sua própria autoridade. Indago-me se, naqueles dias, as pessoas não tinham dificuldade em diferenciar entre o que procedia do Senhor e não tinha tal origem. O povo, porém, torna isso mais difícil agora dado que todos os artigos e livros da Irmã White estão conosco, e suas cartas também, e muitos julgam que toda palavra que ela declarou ou escreveu procede do Senhor. Temos tido sanatórios edificados em razão de cartas que ela escreveu . . . e empreendimentos envolvendo grandes investimentos financeiros foram iniciados por causa de uma carta dela. Não há dúvida, mas muitos jovens, e também pastores, abrigam essa idéia, e é um problema real para mim. Gostaria que fôssemos a fundo nessa questão, e não creio que ainda alcançamos terra firme nisso.

W. W. Prescott: Gostaria de perguntar-lhe se, após seus escritos terem sido publicados por uma série de anos, Jeremias alterou-os por estar convencido de que havia erros históricos neles.

M. E. Kern: Não posso responder isso.

W. H. Wakeham: Ocorre uma dificuldade real, e temos que defrontá-la. Podemos dizer que as pessoas não crêem na inspiração verbal dos Testemunhos. Talvez tecnicamente não saibam o que isso signifique. Mas isto não é absolutamente o que está em jogo. Os Testemunhos têm sido aceitos por toda a nação, e creio que toda palavra idêntica que a Irmã White escreveu devia ser recebida como verdade infalível. Temos essa questão a deparar quando retornarmos, e será suscitada em nossas salas de aula tão certamente quanto aqui nos encontramos, porque tem-me sido suscitada vez após vez em toda turma a que leciono. E não surge somente na escola, mas também nas igrejas. Sei que temos uma tarefa assaz delicada diante de nós se defrontarmos a situação e o fizermos do modo que o Senhor deseja que seja feito. Estou orando muito fervorosamente por ajuda ao retornar para enfrentar algumas das coisas que eu sei que irei encontrar.

W. E. Howell: Certamente estamos tendo nossas dificuldades ventiladas esta manhã, e isso é perfeitamente apropriado; mas temos somente dez minutos de resto do período para dedicar alguma atenção à solução dessas dificuldades. Convidamos homens de muito maior experiência do que nós para nos ajudarem e dar-nos o seu conselho. Parece-me que deveríamos conceder-lhes algum tempo.

G. B. Thompson: Parece-me que se vamos pregar os Testemunhos e estabelecer confiança neles, isso não depende de serem verbalmente inspirados ou não. Creio que estamos nesse impasse devido a uma educação errada que nosso povo obteve. [Voz: Isso é verdade.] Se sempre tivéssemos ensinado a verdade sobre esta questão, não teríamos nenhum problema ou choque na denominação agora. Mas o choque se dá porque não ensinamos a verdade, e colocamos os Testemunhos num plano que ela declara não ser sua posição. Reivindicamos mais para eles do que ela o fez. Meu pensamento é este, de que a evidência da inspiração dos Testemunho não está em sua inspiração verbal, mas em sua influência e poder na denominação. Agora, para ilustrar isso: o Irmão Daniells e eu estivemos em Battle Creek durante uma crise especial, e veio-nos a informação de que alguns Testemunhos especiais estavam a caminho da parte da Irmã White até nós, e que deveríamos permanecer ali até que chegassem. Quando chegaram, descobrimos que deveriam ser lidos para o povo. Tinham caráter muito sério. Haviam sido escritos um ano antes e arquivados. O Irmão Daniells e eu oramos a respeito, e depois mandamos convocar o povo para uma reunião que seria realizada numa certa hora. Quando chegou a hora, cerca de 3.000 pessoas vieram ao Tabernáculo lotando-o. . . Havia descrentes e cépticos lá, e todo tipo de gente. O Irmão Daniells levantou-se e leu aquele texto, e lhes digo que havia um poder que o acompanhava que prendeu a congregação inteira. E após o término da reunião, as pessoas vieram até nós e nos disseram que o Testemunho descrevia uma reunião que haviam tido na noite anterior. Convenci-me de que havia mais do que poder ordinário naquele documento. Não se tratava de ser verbalmente inspirado ou não, mas ele continha o poder do Espírito de Deus nele.

Creio que se pudéssemos abordar a questão por esse lado, marcharemos melhor. Eles não são verbalmente inspirados,--e sabemos disso,-- e que adianta ensinar que sejam?

M. E. Kern: . . . Esta questão de inspiração verbal não resolve a dificuldade.

C. M. Sorenson: A Irmã White usa o termo "inspiração" quanto a seus próprios escritos, ou isso é somente uma teoria que nós mesmos temos desenvolvido? Eu peço essa informação. Nunca vi isso em seus escritos.

A. G. Daniels: Mal sei onde começar ou o que dizer. Creio que devo repetir que nossa dificuldade jaz em dois pontos, especialmente. Uma está na infalibilidade e a outra na inspiração verbal. Creio que o Irmão Tiago White previu dificuldades nesse campo bem nos primórdios. Ele sabia que apanhou os Testemunhos da Irmã White e ajudou a redigi-los e torná-los claros e gramaticais e objetivos. Sabia como estava fazendo isso todo o tempo. E sabia que as secretárias que empregavam os tomavam e os punham em condição gramatical, transpunham e completavam sentenças, e empregavam palavras que a Irmã White própria não escrevera em seu original. Ele via isso, e contudo viu alguns irmãos que não o sabiam, e que tinham grande confiança nos Testemunhos, tão-só crendo e ensinando que essas palavras eram concedidas à Irmã White, bem como o pensamento. E ele tentava corrigir essa noção. Vocês encontrarão essas declarações na Review & Herald, como a que o Irmão Wilcox leu outro dia. Se essa explicação tivesse sido aceita e transmitida a nós, estaríamos livres de muitas perplexidades que agora defrontamos.

F. M. Wilcox: Artigos foram publicados naquelas primeiras edições da Review desfazendo tais idéias.

A. G. Daniells: Sim, mas sabem que há alguns irmãos que vão por toda parte. Poderíamos mencionar alguns velhos e alguns jovens que julgam não poder crer nos Testemunhos sem tê-los na conta de absolutamente infalíveis e inspirados por palavra, tomando a coisa inteira como dada verbalmente pelo Senhor. Não vêem como crer neles e como obter algum bem deles exceto por essa maneira; e suponho que algumas pessoas julgariam que se não crerem na inspiração verbal da Bíblia, não podem ter confiança nela, e tê-la na conta do grande Livro como agora a consideram. Alguns homens são [de mentalidade] técnica, e dificilmente podem entendê-la de qualquer outro modo. Outros indivíduos não são assim tão técnicos em lógica, mas mantêm grande fé e grande confiança, e assim podem seguir outra linha de pensamento. Estou certo que tem-se advogado uma idéia de infalibilidade na Irmã White e inspiração verbal nos Testemunhos que tem levado pessoas a esperaram em demasia e fazer reivindicações muito exageradas, e assim temos entrado em dificuldades.

Agora, na medida em que tenho estudado o assunto desde que fui lançado na controvérsia de Battle Creek, tenho me empenhado para assegurar-me da verdade e então ser fiel à verdade. Não sei como fazer, exceto por essa maneira. Nunca me será de auxílio, ou de auxílio às pessoas, fazer uma falsa alegação para evadir-me de algum problema. Sei que temos dificuldades aqui, mas vamos dispor de algumas das principais questões primeiro. Irmãos, iremos evadir-nos das dificuldades ou sair-nos fácil das dificuldades por tomar uma falsa posição? [Vozes: Não!] Bem, então tomemos uma posição honesta, verdadeira, e alcancemos de algum modo nossa meta, porque nunca apresentarei uma falsa alegação para fugir de algo que se levantará um pouco mais tarde. Isso não é honesto e não é cristão, e assim eu aqui tomo minha posição.

Na Austrália vi O Desejado de Todas as Nações sendo composto, e vi a reescrita de capítulos, alguns escritos e reescritos e de novo reescritos. . . . Testemunhei isso, e quando conversei com a Irmã Davis**** a respeito, digo-lhes que tive que ser firme quanto a essas coisas e começar a pôr as coisas em ordem quanto ao espírito de profecia. Se essas falsas posições nunca tivessem tido lugar, as coisas seriam muito mais claras do que hoje. O que foi acusado como plagiarismo teria sido tudo simplificado, e creio que homens teriam sido salvaguardados para a Causa se desde o começo tivéssemos entendido essa coisa como deveria ter sido. Com esses falsos pontos de vista mantidos, enfrentamos dificuldades para endireitar tudo. Não iremos enfrentar essas dificuldades recorrendo a uma falsa alegação. Poderíamos enfrentá-las somente para hoje declarando: "Irmãos, creio na inspiração verbal dos Testemunhos; creio na infalibilidade daquela mediante quem eles vieram, e tudo o que está escrito ali eu aceitarei e ficarei firme em sua defesa contra quem quer que seja".

Se fizéssemos isso, eu apenas teria que tomar tudo, de A a Z, exatamente como escrito, sem dar qualquer explicação a quem quer que seja; e não comeria manteiga, ou sal, ou ovos se cresse que o Senhor deu as palavras naqueles Testemunhos à Irmã White para toda a corporação mundial. Mas não creio assim.

M. E. Kern: Não poderia fazê-lo e manter uma consciência tranqüila.

A. G. Daniells: Não, não poderia; mas não creio nisso; e posso entrar numa explanação da reforma de saúde que creio ser coerente, e de que ela se empenhou em introduzir em anos posteriores quando viu as pessoas fazendo mau uso disso. Eu próprio ingeri quilos de manteiga e comi dúzias de ovos junto à mesa dela. Eu não poderia explicar isso em sua própria família se cresse que ela acreditasse serem [aquelas instruções] as próprias palavras do Senhor para o mundo. Contudo, há pessoas que acreditam assim e não comem ovos ou manteiga. Eu não sei se usam sal. Sei de muita gente dos tempos pioneiros que não usavam o sal, e era em nossa Igreja. Estou certo de que muitas crianças sofreram com isso.

Não adianta alegarmos nada mais sobre a inspiração verbal dos Testemunhos, porque ela nunca o reivindicou, e Tiago White nunca o reivindicou, e W. C. White nunca o reivindicou; e todos os que ajudaram a preparar aqueles Testemunhos sabiam que não eram verbalmente inspirados. Eu nada mais direi sobre esse ponto.

D. A. Parsons: Ela não só não o reivindicou, como negou isso.

A. G. Daniells: Sim, ela tentou corrigir o povo.

Agora, sobre infalibilidade, suponho que a Irmã White empregou o texto de Paulo "Temos este tesouro em vasos de barro", mais do que outras passagens. Ela costumava repetir isso freqüentemente, "Temos este tesouro em vasos de barro", com a idéia de que ela era uma pobre e frágil mulher, uma mensageira do Senhor tentando realizar o seu dever e encontrar a mente de Deus neste trabalho. Quando se toma a posição de que ela não era infalível, e que os seus escritos não eram verbalmente inspirados, não ocorre uma chance para a manifestação do humano? Se não houver, então o que vem a ser infalibilidade? E deveríamos nos surpreender quando sabemos que o instrumento era falível, e que as verdades gerais, como ela diz, foram reveladas, e então não estamos preparados para ver erros?

M. E. Kern: Ela era uma autora e não meramente uma pena.

A. G. Daniells: Sim, agora, tomemos esse pequeno livro, The Life of Paul - Suponho que todos saibam de como acusações foram levantadas contra ela, alegações de plagiarismo, mesmo pelos autores da obra, Conybeare and Howson, e estavam a ponto de trazer problemas para a denominação por haver grandes porções do livro deles introduzidas no The Life of Paul sem quaisquer créditos ou aspas. Algumas pessoas de lógica estrita podem sair dos trilhos quanto a isso, mas não sou dessa estrutura. Descobri o fato, e li-o com o Irmão Palmer quando ele o encontrou; apanhamos Conybeare and Howson, e o História da Reforma de Wylie, e lemos palavra por palavra, página após página, e nenhuma citação, nenhum crédito, e realmente eu não sabia a diferença até que comecei a compará-los. Eu supunha que era obra da própria Irmã White! . . . Ali eu vi a manifestação do humano nesses escritos. Logicamente, eu poderia ter dito isso, e realmente o fiz, que desejaria que um rumo diferente fosse dado à compilação dos livros. Se cuidado apropriado tivesse sido exercido muitas pessoas teriam sido poupadas de serem lançadas fora do caminho.

Sra. Williams: A secretária deveria saber que ela não devia citar algo sem empregar aspas.

A. G. Daniells: Você pensaria assim. Eu não sei quem era a secretária. O livro foi deixado de lado, e eu nunca soube quem pôs mãos à obra para consertar a situação. Pode ser que alguém o saiba.

B. L. House: Posso fazer uma pergunta a respeito desse livro? A Irmã White escreveu algo dele?

A. G. Daniells: Oh, sim! B. L. House: Mas há algumas coisas que não estão em Conybeare and Howson que também não se acham no livro. Porque essas declarações impressionantes não estão incorporadas no novo livro?

A. G. Daniells: Não lhe posso dizer. Mas se os seus escritos foram verbalmente inspirados, por que ela deveria revisá-los?

B. L. House: Minha dificuldade não é a inspiração verbal. Minha dificuldade está nisto: Toma-se os nove volumes dos Testemunhos, e segundo entendo, a Irmã White escreveu a matéria original da qual eles foram compostos, exceto o fato de terem sido gramaticalmente corrigidos, com preocupação a respeito de pontuação, letras maiúsculas, etc. Mas livros tais como Sketches of the Life of Paul, Desejado de Todas as Nações e O Conflito dos Séculos foram compostos de modo diferente, me parece, mesmo por suas secretárias do que os nove volumes dos Testemunhos. Não ocorre uma diferença? Eu tenho julgado que os Testemunhos não foram produzidos como esses.

A. G. Daniells: Eu não sei quanta revisão ela pode ter feito nesses Testemunhos pessoais antes de enviá-los.

B. L. House: Não há, portanto, uma diferença entre os nove volumes dos Testemunhos e aqueles outros livros para os quais suas secretárias eram autorizadas a coletar citações valiosas de outros livros?

A. G. Daniells: O senhor admite que ela tinha o direito de revisar sua obra?

B. L. House: Oh, sim.

A. G. Daniells: Então sua pergunta é-Por que ela deixou fora da revisão algumas coisas impressionantes que havia escrito que pareceria deverem ter sido introduzidas?

B. L. House: Sim.

M. E. Kern: No primeiro volume do espírito de profecia são dados alguns detalhes, se não estou enganado, quanto à altura de Adão. Parece-me que quando ela foi preparar o Patriarcas e Profetas para o público, conquanto isso lhe havia sido mostrado, ela não achou sábio colocar isso perante o público.

Quem quiser maiores detalhes da experiência dessas duas mais destacadas secretárias da Sra. White poderão encontrar no Website Error! Bookmark not defined., seção em espanhol, os artigos, "La Locura de Fannie" e "Marian, la 'Encuadernadora'", por Alice E. Gregg, extraídas da publicação Adventist Currents, outubro de 1983.

A. G. Daniells: E ela também deixou fora de nossos livros para o público aquela cena de Satanás jogando o jogo da vida.

B. L. House: Naquela velha edição de Sketches of the Life of Paul ela é muito clara sobre a lei cerimonial. Isso não se acha no novo livro, e eu me pergunto por que isso foi deixado fora.

D. A. Parsons: Tenho uma resposta para isso. Eu estava na Califórnia quando o livro foi compilado, e tomei a velha edição e conversei com o Irmão Will White sobre essa mesma questão. Ele disse que o livro inteiro, exceto esse capítulo, estava compilado por algum tempo, e que eles haviam mantido em suspenso até poderem arranjar esse capítulo de modo a prevenir que fosse suscitada controvérsia. Eles não desejavam que o livro fosse usado para resolver qualquer controvérsia, portanto eliminaram a maior parte dessas declarações sobre a lei cerimonial apenas para impedir que ocorresse uma renovação da grande controvérsia a respeito da lei cerimonial em Gálatas.

B. L. House: Não se trata de um repúdio do que foi escrito por ela no primeiro volume, não é?

D. A. Parsons: Não, em absoluto; mas eles apenas introduziram o suficiente para satisfazer a mente inquiridora, mas eliminaram aquelas declarações chocantes para impedir uma renovação da controvérsia.

F. M. Wilcox: Gostaria de perguntar, Irmão Daniells, se se poderia admitir, como um tipo de regra, que a Irmã White poderia estar errada em detalhes, mas em praxe e instrução geral ela era uma autoridade. Por exemplo, ouço um homem dizer que não pode aceitar a Irmã White sobre isso, quando talvez ela tenha dedicado páginas à discussão daquilo. Alguém disse que não podia aceitar o que a Irmã White diz sobre royalties de livros, e contudo ela dedica páginas a esse tema e o realça vez após vez; o mesmo se dá quanto a praxes para nossas escolas e casas publicadoras e sanatórios. Parece-me que eu teria de aceitar o que ela declara em algumas dessas políticas gerais ou teria de descartar tudo o mais. Ou o Senhor falou mediante ela ou não . . .; e se é uma questão de decidir em meu próprio juízo se Ele o fez ou não, então considero os seus livros na mesma categoria de todos os demais livros publicados. Creio ser uma coisa para um homem estultificar sua consciência, e é outra coisa estultificar o seu julgamento. Uma coisa para mim é pôr de parte minha consciência, e outra coisa é mudar meu julgamento a respeito de algumas posições que eu sustento.

A. G. Daniells: Creio que a pergunta do Irmão Benson sobre questões históricas e teológicas não foi abordada ainda, e não sei se serei capaz de oferecer qualquer luz. Talvez algum de vocês possa saber em que extensão a Irmã White revisou algumas de suas declarações e referências ou citações de escritos históricos. Já saíram a pesquisar para fazer uma lista deles?

W. W. Prescott: Dediquei quase uma hora a isso outro dia, tomando a velha edição do Conflito dos Séculos e lendo-o, e depois lendo a edição revisada. Mas isso não cobria tudo.

A. G. Daniells: Não criamos essa dificuldade, criamos? Nós, homens da Associação Geral, não criamos isso, pois não fizemos a revisão. Não tivemos parte nisso. Nada tivemos a ver com isso. Tudo foi feito sob a supervisão dela. Se há uma dificuldade aí, ela a criou, não foi?

F. M. Wilcox: Ela assumiu a inteira responsabilidade por isso.

M. F. Kern: Mas temos que defrontar o problema.

A. G. Daniells: Bem, agora, que declaração adotaremos, a original ou a revisada?

B. L. House: Minha dificuldade real é apenas esta: a Irmã White não escreveu nem a edição antiga, nem a revisada, segundo entendo.

A. G. Daniells: Que quer dizer quanto a ela não ter escrito nenhuma das edições?

B. L. House: Segundo entendo, o Pastor J. N. Anderson preparou aquelas citações históricas para a velha edição, e o Irmão Robinson e o Irmão Crisler, o Professor Prescott e outros forneceram as citações para a nova edição. Ela introduziu as citações históricas [no livro]?

A. G. Daniells: Não.

B. L. House: Então há uma diferença entre os Testemunhos e esses livros.

W. W. Prescott: Mudanças foram feitas no que não era absolutamente um excerto histórico.

A. G. Daniells: Não devemos limitar-nos apenas agora a esta pergunta do Irmão Benson, e seguir adiante rumo à real dificuldade, e depois tratar disso? Vocês têm uma concepção clara da forma em que a dificuldade se desenvolveu?--de que ao fazer-se a primeira edição do Conflito dos Séculos aqueles que a ajudaram a preparar o exemplar tiveram permissão de introduzir citações históricas que pareciam ajustar-se ao caso. Ela pode ter solicitado, "Agora, que boa citação histórica têm para isto?" Eu não sei exatamente como as introduziu, mas ela jamais permitiria que alegássemos nada em seu favor como uma historiadora. Ela não se exaltou como uma corretora da História,--não só não o fez, como protestou contra isso. Exatamente como eles lidaram em introduzir fatos históricos eu não poderia dizer, mas suspeito que ela se referia a isso na medida em que prosseguia, e então permitia que reunissem as melhores declarações históricas que pudessem e submetiam-nas a ela, e ela as aprovava.

C. L. Benson: Esta é a minha indagação, e isso está subjacente a todos os seus escritos: Como ela determinava a filosofia da história? Se endossasse nossa interpretação da História, sem quaisquer detalhes, podemos ousar deixar isso de lado? Entendo que ela nunca estudou ciência médica; mas lançou certos princípios fundamentais; e que ela fez o mesmo com educação e organização.

A. G. Daniells: A Irmã White nunca escreveu algo sobre filosofia da História.

C. L. Benson: Não, mas ela endossou nossa proposição dos 2.300 dias, de 538 a 1798. . . .

A. G. Daniells: O senhor entende que ela o fez colocando isso em seus escritos?

C. L. Benson: Sim.

A. G. Daniells: Sim, suponho que ela o fez.

C. A. Shull: Creio que o livro Educação contém algo nessa linha de filosofia da História.

W. E. Howell: Sim, ela esboça princípios gerais.

C. M. Sorenson: Quanto eu saiba, ninguém jamais questionou a filosofia da História da Irmã White, . . .--na linha da mão de Deus nos negócios humanos e o modo como a mão de Deus tem sido manifestada. A única pergunta que se têm levantado tem sido sobre detalhes menos importantes. Tome essa questão sobre se 533 tem alguma significação, mas se há alguma significação relacionada com tal data nos negócios humanos, certamente isso não nos impediria de usá-la, e isso não afetaria os 1260 anos. Algumas pessoas dizem que o anticristo ainda está para vir, e perdurará por três anos e meio literais. Se se altera essas posições, altera-se a filosofia.

W. W. Prescott: Será que entendo que a posição do Irmão Benson é de que tal declaração em O Grande Conflito, de que os 1260 anos começaram em 538 e terminaram em 1798, estabelece a questão infalivelmente?

C. L. Benson: Não, só na pregação de doutrinas em geral. Se ela endossa a parte profética de nossa interpretação, independentemente de detalhes, então a endossa.

W. W. Prescott: Então isso o confirma como sendo uma parte dessa filosofia.

C. L. Benson: Sim, deste modo: Eu não vejo como podemos fazer qualquer outra coisa, mas estabelecer nosso julgamento individual se dizemos que desconsideraremos isso, porque temos algo mais que julgo ser melhor evidência. O mesmo se dá com educação e com ciência médica.

W. W. Prescott: O senhor está exatamente mencionando a experiência pela qual eu passei, pessoalmente, porque vocês todos sabem que eu contribuí algo para a revisão do Conflito dos Séculos. Eu forneci material considerável tratando dessa questão.

A. G. Daniells: A pedido.

W. W. Prescott: Sim, foi-me pedido fazê-lo, e a princípio eu disse: "Não, não farei isso. Eu sei o que isso representa". Mas fui forçado a isso. Após ter tratado da questão com W. C. White, disse então: "Eis a minha dificuldade. Eu passei por isso e sugeri mudanças que deveriam ser feitas a fim de corrigir declarações. Essas alterações foram aceitas. Minha dificuldade pessoal será reter a fé nessas coisas com que não posso lidar nessa base". Mas eu não descartei o espírito de profecia, e ainda não o fiz; mas tive que ajustar minha visão das coisas. Direi a vocês que, de fato, a relação desses escritos a este movimento e essa obra é mais clara e mais consistente em minha mente do que era então. Mas vocês sabem bem do que sou acusado. Eu próprio tenho passado pela experiência pessoal a respeito exatamente disso sobre que estão falando. Se corrigimos isso aqui e corrigimos ali, como iremos ficar firmes com isso em outros lugares?

F. M. Wilcox: Essas coisas não envolvem a filosofia geral do livro.

W. W. Prescott: Não, mas envolvem grandes detalhes. Por exemplo, antes que o Conflito dos Séculos fosse revisado, eu não era ortodoxo sobre um certo ponto, mas após ter sido revisado, tornei-me perfeitamente ortodoxo.

C. M. Sorenson: Sobre que ponto?

W. W. Prescott: Minha interpretação era (e ensinei isso por anos no The Protestant Magazine) que Babilônia representava a grande apostasia contra Deus, que se manifestou no papado, mas que incluía todas as formas menores, e que antes de chegarmos ao fim, elas todas ficariam sob um [poder]. Esse não era o ensino do Conflito dos Séculos que dizia que Babilônia não poderia significar a Igreja Romana, e eu havia dado esse sentido em grande medida e de modo primário. Após o livro ser revisado, conquanto o argumento todo tenha permanecido o mesmo, dizia que não poderia representar a Igreja Romana somente, acrescentada somente uma palavra.

F. M. Wilcox: Isso o ajudou.

W. W. Prescott: Sim, mas disse a W. C. White que não pensava que alguém tivesse qualquer direito de fazer isso. Eu não cria que ninguém tinha qualquer direito de usar isso contra mim antes ou depois disso. Eu simplesmente prossegui com o meu ensino.

J. W. Anderson: Não reivindicaria outras porções do livro como estando na mesma base?

W. W. Prescott: Não, eu recusaria fazer isso. Tive que lidar com A. R. Henry a respeito dessa questão. Ele estava determinado a esmagar aqueles que tomassem uma direção errada com respeito a ele. Passei horas com esse homem tentando ajudá-lo. Éramos íntimos em nosso trabalho, e eu costumava ir a sua casa e passar horas com ele. Ele levantou esta questão a respeito da autoridade do espírito de profecia e desejava que eu traçasse a linha entre o que tinha peso de autoridade, e o que não tinha. Eu disse: "Irmão Henry, não tentarei fazer isso, e aconselho-o a não fazê-lo. Há uma autoridade neste dom aqui, e devemos reconhecê-la".

Tentei manter confiança pessoal neste dom na igreja, e o emprego vez após vez. Tenho obtido grande ajuda desses livros, mas lhes direi francamente que me apeguei a essa posição da questão de Babilônia por anos quando sabia que estava exatamente em contradição com o Conflito dos Séculos, mas seguia em frente, e no tempo devido tornei-me ortodoxo. Eu não tive prazer nessa experiência, em absoluto, e espero que não tenham que passar por isso. Isso não leva a nada.

C. L. Benson: Este é o ponto-chave. O senhor teve algo que o capacitou a tomar essa posição. O que foi?

W. W. Prescott: Eu não posso estabelecer nenhuma regra para ninguém. O que me levou a tomar essa posição foi a Bíblia, não alguma autoridade secular.

J. N. Anderson: Suas próprias descobertas devem ser sua autoridade para crer ou não crer.

W. W. Prescott: Você pode confundir tudo aplicando isso a um princípio geral.

C. P. Bollman: Poderia dizer, em apenas poucas palavras, como a Bíblia o ajudou?

W. W. Prescott: Isso envolveria a questão toda da besta.

Voz: Pelo que sabe, a Irmã White alguma vez insinuou diferença entre seus nove volumes e os outros livros?

W. W. Prescott: Nunca conversei com ela a respeito disso. Em minha mente, há uma diferença entre as obras que ela própria preparou em grande medida e as que foram preparadas por outros para venda ao público.

A. G. Daniells: O senhor poderia até declarar isso um pouco mais detalhadamente, a diferença no modo em que foram produzidas.

W. W. Prescott: Se puder expor francamente minha opinião, devo dizer que por anos tenho sentido que grandes erros se cometeram no manejo de seus escritos para propósitos comerciais.

C. M. Sorenson: Por quem?

W. W. Prescott: Não desejo acusar ninguém. Mas creio que grandes erros foram cometidos desse modo. Por isso é que fiz uma distinção como mencionado. Quando conversei com W. C. White a respeito do assunto (e não imagino que ele seja uma autoridade infalível) ele me disse com franqueza que quando prepararam o Grande Conflito, se não encontravam em seus escritos algo em certos capítulos para realizar as conexões históricas, tomavam outros livros, como Daniel e Apocalipse, e usavam porções deles; e às vezes suas secretárias, e outras vezes ela própria, preparavam um capítulo que preenchesse o espaço.

C. A. Shull: Gostaria de perguntar se o Irmão Prescott quer que se entenda que sua atitude é de que toda vez que o seu julgamento entra em choque com qualquer declaração no espírito de profecia, ele segue o seu julgamento antes que o espírito de profecia?

W. W. Prescott: Não, não desejo que ninguém compreenda isso desse modo. É exatamente a forma de pensamento que não desejo que ninguém entenda.

C. A. Shull: Então esse foi um caso excepcional.

W. W. Prescott: Sim, fui forçado a isso por meu estudo da Bíblia. Quando decido a respeito disso, não vou diante do povo para dizer: "Eis aqui um engano no Conflito dos Séculos, e se estudarem a Bíblia descobrirão que é assim". Eu não ataquei o espírito de profecia. Minha atitude tem sido evitar qualquer oposição ao dom nesta Igreja, mas eu evito uma má utilização dele de molde a pôr de lado a Bíblia. Não desejo que ninguém pense por um instante que eu oponho o meu julgamento ao espírito de profecia.

A. G. Daniells: Lembremo-nos disso, irmãos, e não digamos uma palavra que represente mal ao Irmão Prescott.

B. L. House: A própria Irmã White escreveu a declaração de que a palavra Babilônia não podia ter aplicação à Igreja Católica Romana, ou isso teria sido copiado de algum outro autor?

W. W. Prescott: Isto estava na declaração escrita.

B. L. House: Alguma vez ela alterou algum dos nove volumes dos Testemunhos?

W. W. Prescott:O Conflito dos Séculos é o único livro que sei ter sido revisado.

C. M. Sorenson: O Primeiros Escritos não foi revisado também? Entendo que ocorreram algumas omissões nas edições posteriores.

W. W. Prescott: Talvez algumas coisas tenham sido deixadas fora, mas não penso que o próprio texto foi revisado.

A. G. Daniells: Vocês sabem que há uma declaração de que o papa mudou o sábado, e outro de que o papado foi abolido. O que fariam com isso?

B. L. House: Não há problema a respeito disso.

A. G. Daniells: Por que não? O papa não mudou o sábado?

H. L. House: Mas o papa representa o papado.

A. G. Daniells: Há pessoas que crêem simplesmente que houve certo papa que mudou o sábado, por causa da maneira em que se apegam às palavras. Ela nunca quis dar a entender que um certo papa mudou o sábado; mas, vocês sabem, tenho ouvido isso sendo levantado centenas de vezes em reuniões ministeriais.

B. L. House: Nunca enfrentei problema algum com isso.

A. G. Daniells: Mas o senhor é somente um. Há cerca de 2.000 outros. Tenho tido que trabalhar com homens gradual e cuidadosamente e todo o tempo guardar-me de dar uma idéia de que seja um duvidador dos Testemunhos.

Sei que é comentado por aí que alguns de nós da administração em Washington, a cargo do trabalho administrativo geral, somos muito hesitantes e incrédulos, mas desejo dizer-lhes que eu sei melhor. Sei que os meus associados têm confiança até os fundamentos da plataforma dessa questão; e sei que se muitos dos senhores tivessem passado pelas experiências que tivemos, teriam tido uma experiência que os firmaria em sólido terreno. Teriam sido abalados um pouco, e estão começando agora a sentir-se abalados, e alguns talvez nem saibam onde vão se firmar. Estas perguntas o demonstram. Mas isso não significa dizer que não haja um fundamento. Significa, antes, que não passaram pelos dilemas ainda até terem os pés firmados sobre terra firme.

Desejo fazer esta sugestão, porque com todas estas perguntas não podemos seguir uma linha de pensamento de modo lógico: Devemos empregar bom senso ao tratar com essa questão toda, irmãos. Não sejam descuidosos com suas palavras. Não descuidem ao relatar ou apresentar as opiniões de homens. Tive que defrontar isso por anos e anos, como sabem, em toda reunião ministerial; e tenho sido chamado para aulas de colégios vez após vez, e tenho tido que dizer coisas que esses ministros e estudantes nunca ouviram antes a respeito disso; e tenho orado por sabedoria e pelo Espírito do Senhor para dirigi-los e dar-lhes fé e por acobertar essas coisas que deixariam dúvida. E nunca senti em reação disso que uma declaração cuidadosa, cautelosa feita no temor de Deus tenha perturbado uma única pessoa. Pode até ter-se dado, mas nunca me veio como reação. Tomem os nossos pastores: Este irmão [referindo-se ao Irmão Waldorf] sabe quanto isso foi suscitado em nossas reuniões ministeriais lá na Austrália, e tratamos da questão às claras. Não tentamos pôr uma venda sobre os olhos das pessoas, e acredito que encontrarão os pregadores e igrejas australianas como crentes firmes no espírito de profecia e no chamado da Irmã White pelo Senhor como encontrariam em qualquer parte sobre a face da Terra. Tomem a Nova Zelândia: eu levantei isso lá, e creio ser bem sabido que não há lugar no mundo onde o povo permanece mais fiel a este dom do que os de lá.

Não creio ser necessário dispersar um mínimo, mas realmente creio, irmãos, que temos de utilizar sabedoria que Deus somente nos pode dar ao tratar com isto até que essas questões gradualmente sejam resolvidas. Temos empreendido uma maravilhosa mudança em dezenove anos, Irmão Prescott. Quinze anos atrás não poderíamos ter falado o que falamos aqui hoje. Não teria sido seguro. Essa questão tem surgido gradualmente, e contudo as pessoas não estão perdendo sua confiança no dom. No ano passado vendemos 5.000 jogos dos Testemunhos, e eles custam oito ou nove dólares a coleção. Em um ano nossos irmãos e irmãs, sob a influência da Associação Geral, e as uniões e associações locais, bem como dos nossos pregadores,--sob influência deles, sem qualquer compulsão, nossos irmãos vieram e gastaram quarenta ou cinqüenta mil dólares com os Testemunhos. Indicação do que seria isso?

Voz: Confiança.

A. G. Daniells: Sim, confiança, e uma atitude amistosa. Eles não os adquiriram como críticos para esmiuçá-los. Devemos ser julgados por nossos frutos. Desejo dizer-lhes que quanto mais clara a visão que temos sobre os fatos exatos no caso, mais forte será a posição de nosso povo em toda esta questão.

Agora, Irmão Benson, eu vejo toda a linha percorrendo o caminho a que se referiu. Não podemos corrigir isso num dia. Precisamos empregar grande juízo e cuidado. Espero que os senhores, professores de Bíblia, sejam bastante criteriosos. Fui chamado aqui duas vezes para falar sobre o espírito de profecia para o curso de treinamento de pastores e de Bíblia. Eles suscitaram esta questão sobre História. Eu simplesmente disse: "Agora, rapazes, a Irmã White nunca reivindicou ser uma historiadora nem uma revisora de História. Ela empregava o melhor que sabia da questão sobre que estava discorrendo". Nunca ouvi de um professor que aqueles rapazes saíram cochichando por aí que "o Irmão Daniells não crê que os escritos da Irmã White sejam dignos de confiança". Acredito que o Senhor nos ajudará a cuidarmos disso se formos cuidadosos e usarmos de bom senso. Creio que ser isso tudo quanto posso dizer neste tipo de discussão.
__________
**** Referência a Marian Davis, dedicada secretária da Sra. White por 25 anos. Considerada uma profissional muito útil à autora adventista, ela, porém, terminou seus dias de serviço junto à Sra. White denunciando os seus métodos de composição literária, alegando que reunia material de diferentes autores adventistas e de outras confissões para compor livros que, assim compilados, tinham autoria atribuída à Sra. White como trazendo mensagens de Deus. Outra das auxiliares editoriais da Sra. White, Fannie Bolton, havia tomado atitude semelhante de "rebeldia". O conflito íntimo que enfrentou teria sido a causa de seu final internamento numa instituição para doentes mentais! Antes mesmo desta, a Srta. Mary Clough, sobrinha de Ellen White, que a serviu nessa função por algum tempo, terminou também denunciando a metodologia literária da tia, confessando o seu mal-estar em participar de tais atividades. Não seria do interesse de toda a comunidade adventista conhecer mais detalhes sobre a experiência e alegações dessas secretárias?

[Traduzido de Spectrum, publicação da Associação de Fóruns Adventistas, Vol. 10, no. 1, pp. 23 a 26]

ADENDO ÀS TRANSCRIÇÕES DA CONFERÊNCIA BÍBLICA DE 1919

O bem documentado artigo de Bert Haloviak e Gary Land, "Ellen White & Doctrinal Conflict: Context of the 1919 Bible Conference" [Ellen White e Conflito Doutrinário: Contexto da Conferência Bíblica de 1919], de Spectrum, Vol. 12, no 4, pp. 19 a 34, oferece os antecedentes e conseqüências da conferência acima retratada.

Debates teológicos sobre o panteísmo, o santuário e o significado do "sacrifício costumado" (Dan. 8:11-13) vinham resultando há décadas em defecções de líderes destacados da Igreja, além de despertarem controvérsia sobre a autoridade dos escritos de Ellen G. White em História e Exegese Bíblica. Em vista de que interpretações conflitantes quanto à autoridade da Sra. White têm ressurgido em nosso tempo, convém passar em revista o contexto da Conferência Bíblica de 1919. A conferência para professores de Bíblia, História, editores e pastores havia sido planejada para 1913 inicialmente, mas só em 1919 pôde concretizar-se. Nela se observa a busca por franqueza e objetividade, sobretudo da parte de A. G. Daniells, então presidente da Associação Geral. Ele vinha sendo acusado de não crer na inspiração dos escritos de Ellen G. White, mas parece ocorrer aí uma distorção de sua real posição. Defendendo-se de seus opositores, ele explica que considerava tais escritos indiscutivelmente procedentes do Senhor, mas rejeitava o conceito de serem o único intérprete infalível da Bíblia e refutava a noção de "inspiração verbal", sustentada por muitos ultraconservadores de seu tempo. Daniells, finalmente, revela fatos desconhecidos do público com respeito à metodologia de preparação de vários desses escritos.

Pouco antes e durante a assembléia da Associação Geral de 1922, vários adventistas proeminentes divulgaram "cartas-abertas" debatendo a questão da inspiração de Ellen G. White como a entendiam, e acusando líderes da Obra de duvidarem do "espírito de profecia". Um desses--J. S. Washburn, veterano pastor adventista--foi influenciado por Claude E. Holmes, que assistira à "mesa-redonda" da Conferência Bíblica de 1919 e publicara literatura criticando as opiniões expostas no conclave. Washburn pôs-se também a distribuir literatura criticando severamente as posições do Pastor Daniells e de outros homens da liderança da Igreja. Isso teve especial repercussão durante a assembléia da Associação Geral de 1922. Washburn até se gabava de que sua "Carta-Aberta ao Pastor A. G. Daniells e um Apelo à Associação Geral", de 36 páginas, foi a instrumentalidade básica para derrotar Daniells em sua busca por reeleição para a presidência da Associação Geral por mais um mandato. Também W. H. Wakeham, H. C. Lacey e E. F. Albertsworth, três professores do Washington Missionary College que haviam participado da conferência, terminaram perdendo suas posições em resultado dessas campanhas. Um trecho do artigo em Spectrum sumaria algo das conseqüências talvez inesperadas do Concílio de 1919: "A derrota de Daniells não deu fim aos enfileiramentos básicos que tinham começado a se solidificar anteriormente. Em 1932, F. M. Wilcox observava as conseqüências da divisão. Ele declarou que igrejas inteiras foram agitadas e que estudantes de colégios [adventistas] buscavam enquadrar seus professores como sendo 'fundamentalistas' ou 'modernistas'". (Op. Cit., p. 32).Talvez se encontre aí o porquê de terem esses documentos ficado retidos, sem divulgação, nos porões da Associação Geral por todos esses anos. -- A. G. B.

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APÓS O DESAPONTAMENTO

gcarsantos@gmail.com — 25-12-2006 GTM 1 @ 15:15

O ESTRANHO ERRO
DE WILLIAM MILLER
Capítulo 12.

A Morte do Profeta Miller

Clara Endicott Sears, 1924.

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"Watchman! tell us of the night,
For the morning seems to dawn.
Traveler, darkness takes its flight;
Doubt and erro are withdrawn!"
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Os relatos precedentes acerca das variadas maneiras em que foram enfrentados a aproximação e o passo do momento do esperado fim de todas as coisas, relatos que foram recebidos de fontes autênticas, devem ser seguidos por uma curta descrição da perplexidade dos que eram responsáveis de todo este transtorno do equilíbrio mental. Em seu livro "Life and Experiences" %[Vida e Experiências], o Pastor Luther Boutelle nos dá um vistazo do que sucedeu:
"Passou o 22 de Outubro, pondo indeciblemente tristes aos fiéis e aos que ansiavam, mas fazendo que se regocijaran os incrédulos e os impíos. Todo estava calmo. Não tinha 'Advent Herald;' não tinha reuniões como antes. Todo o mundo se sentia solitário, com apenas desejos de falar-lhe a alguém. ¡Todavia estavam no frio mundo! Nada de libertação ¡O Senhor não tinha vindo! Nenhuma palavra pode expressar o sentimento de desencanto dos verdadeiros Adventistas nesse momento. Só os que experimentaram este sentimento podem adentrar-se nele na forma em que teve lugar. Era algo humilhante, e todos o sentíamos da mesma maneira. Todos estavam silenciosos, exceto para perguntar: 'Onde estamos?' e 'Agora que?' Todos se meteram em suas casas, escudriñando suas Bíblias para averiguar que fazer. Em alguns poucos lugares, cedo começaram a reunir-se para esperar que se fizesse alguma luz em relação com nossa frustração.

"Não contento com estar-me em minha casa após estes agitados tiermpos, fui a Boston. Encontrei o escritório do 'Advent Herald' fechada, e todo silencioso. Depois fui a New Bedford. Encontrei aos irmãos num estado de confusão. Tivemos algumas reuniões; consolamos aos que chegavam o melhor do que podíamos, dizendo-lhes que se mantivessem firmes, pois eu cria que algo bom sairia deste assunto. Regressando de New Bedford a Boston , encontrei aberta o escritório de nosso 'Herald' e ao irmão Bliss encarregado. Disse que apenas se tinha saído de sua casa após que o momento teve passado. Perguntou se se estavam tendo algumas reuniões. Disse-lhe que ia ter uma na cidade essa noite, e que em outros lugares se estavam reunindo para consolarse os uns aos outros."

Mas, como era de esperar-se, desde o momento em que começaram a discutir as coisas, começaram as controvérsias. Tendo fracassado a profecia total e completamente, cruzaram-se reproches, negações, e até acusações entre os variados dirigentes da doutrina, e enquanto o público disparava dardos de ridículo e sarcasmo contra a posição em que se encontravam estes infelizes irmãos, eles forcejeaban num cenagal de explicações e refutações, afundando-se mais e mais ao tratar de livrar-se de seu dilema. O Pastor Joshua V. Himes, que não podia suportar a humillación do ridículo, deu média volta, contradizendo osadamente, e ainda negando, as exhortaciones que tinha feito com apaixonado fervor antes do esperado fim. Assim, no "Midnight Cry" de Novembro 5, 1844, numa tentativa de sufocar os brotos de indignação pública pelo fanatismo histérico que tanto se tinha difundido como resultado da prédica que milhares tinham estado escutando, Himes afirma que "ainda que neste movimento muitos deixaram seus apelos seculares, é bem sabido que este curso de ação foi contrário a todo nosso conselho e nossos ensinos enquanto estivemos comprometidos com esta causa." E no entanto, foi ele quem, justo antes do esperado fim do mundo, como editor de "The Midnight Cry," publicou a confissão pública do Irmão George Storrs, na qual apareciam estas palavras: "Confesso que fui conduzido ao erro e portanto fiz desviar-se a outros, aconselhando aos crentes Adventistas a abandonar suas ocupações por completo, e somente assistir às reuniões." Se recordará também com quanta força Himes finalmente se pronunciou a favor do dia décimo do mês sétimo num artigo que abundava em aparente confiança nesta nova data. Mas agora, para assombro do comum dos seguidores, a quem tinha ajudado a atingir um estado de histeria, afirma no "Morning Watch" de Fevereiro 20, mais quatro meses demore, que "o clamor do mês sétimo era local e parcial, e que estava limitado a este país," e continua dizendo que o clamor não produziu nenhum efeito em absoluto em Europa. Até tratou de culpar pela origem da teoria do mês sétimo a um homem de Filadélfia chamado Gorgas, que, segundo disse Himes, pretendia estar inspirado para dar a hora precisa do Advenimiento do Senhor; e no "Morning Watch" de Fevereiro 27, que era o novo nome de "The Midnight Cry," e do qual ele era o editor, teve a temeridade de fazer uma solene advertência: "Primeiro, de prestar atendimento às teorias especulações, e forçadas interpretações das Escrituras "

"Os fatos que ocorreram em nossa história," continua dizendo, "mostram que quando estas teorias falham, os que as receberam foram magoados, como deve ser sempre o caso quando sustentamos o erro em lugar da verdade" - e cita as Escrituras: "Porque se levantaarán falsos Cristos e falsos profetas, e mostrarão grandes sinais e maravilhas, de tal maneira que enganarão, se for possível, ainda aos escolhidos "

É de assombrar-se que muitos dos seguidores especialmente os que agora estavam privados de seus pertences terrenais por ter sido levados a crer que o fim de todas as coisas se aproximava, ressentissem isto por vir de alguém que tinha sido proeminente na promulgação de teorias, especulações, e forçadas interpretações das Escrituras, entre outras coisas?

Demasiado enfermo e decrépito para escrever uma explicação do fracasso da profecia, que o público exigia dele, o pobre e ancião Profeta Miller lhe ditou ao Pastor Bliss uma longa explicação, que ele chamou sua "Apologia e Defesa," que foi publicada pelo Pastor Himes em Boston . Nela, tratou de explicar como tinha ocorrido que ele tinha finalmente patrocinado a data do 22 de Outubro como o dia em que viria o fim, após ter-se oposto a ela por tanto tempo. Diz que ele "não se identificou com o movimento senão até como dois ou três semanas antes do 22 de Outubro quando, vendo que tinha atingido tal prevalencia, e considerando que era um ponto provável no tempo, fui persuadido de que era a obra de Dios." Em outras palavras, o ancião foi arrastado para o redemoinho do engano que originalmente se tinha gerado em seu próprio cérebro, e tinha naufragado, com o resto das vítimas da profecia, num paroxismo de histeria. Pelo menos era honesto nesta afirmação. Mas não pôde resistir lançar uma invectiva contra todos os auto-nomeados predicadores de sua doutrina, numa carta dirigida a "Os Irmãos," e que foi publicada no "Advent Herald" de Dezembro 3, 1844. Nela diz: "As causas que requereram a mão castigadora de Deus sobre nós foram, em minha humilde opinião, o Orgulho, o Fanatismo, e o Sectarismo."

"O orgulho," escreve, "trabalhou de várias maneiras. Procurávamos as honras ou o aplauso dos homens mais do que de Dios. Alguns de nós procurávamos ser dirigentes, invés de ser servos, e nos jactamos demasiado de nossos fatos."

Em relação com o fanatismo que tinha estado causando tanto tumulto, escreveu:

"Sei que nossos inimigos nos acusaram disto antes de que fôssemos culpados; mas isto não era desculpa para que nós tropeçássemos com ele...

"Algumas vezes nossas reuniões se distinguiam pelo ruído e a confusão e - perdoem-me, irmãos, se me expresso com demasiada força - me parecia mais uma Babel do que uma solene assembléia de penitentes inclinando-se em humilde reverencia diante de um Deus santo. A menudo obtive mais evidência de piedade interior de uma mirada acendida, uma mejilla húmeda, e uma expressão afogada que de todo o ruído na cristiandad."

Em meio de todas estas intermináveis e fútis explicações, refutações, e represálias que estavam causando terrível confusão e amargura de espírito entre os seguidores do Profeta Miller, foi o Irmão George Storrs o que, acordando subitamente do engano quando a profecia fracassou, pôs a experiência inteira em poucas palavras fazendo a inflexível afirmação de que ele cria que ¡o mesmerismo tinha sido a raiz de todo o assunto de princípio a fim!

Um rugido de indignação brotou dos que continuavam sustentando a doutrina, mas ele rehusó apartar-se desta convicção recentemente adquirida. O fato de que ele tinha sido um dos principais defensores da teoria do dia décimo do mês sétimo, e de que tinha servido como instrumento para converter ao Profeta Miller a esta posição, aumentava o ressentimento e a perplexidade que esta afirmação inesperada tinha acordado entre seus sócios. Mas enquanto maior era o ressentimento, mais positivamente a afirmava ele.

Em "The Morning Watch" de Fevereiro 20 de 1845 ele apresenta o caso com clareza e segundo os princípios da moderna psicologia:

Com referência a algumas coisas em relação com a excitação do dia décimo, escreve: "Não era senão mesmerismo, com o que quero dizer que era o produto de uma mera influência humana; em outras palavras, não era de Dios; e eu não diria que era do diabo; a conseqüência disto, devo dizer que era de nós mesmos - uma mera influência humana chamada mesmerismo.

"Que é mesmerismo? É a influência que um corpo, ou pessoa, exerce sobre outro para atuar sobre ele e produzir certos resultados. Em outras palavras, é uma mera influência humana. Em si mesma, não é mala. É essencial para a sociedade, e pode usar-se para abençoar à humanidade quando é dirigida pela Palavra e o Espírito de Dios, mas quando é dirigida pelo capricho de um mesmo, ou se lhe deixa correr sem ser guiada pelo entendimento ou a razão, conduz ao extravio.

"O grande ponto que lhe deu poder ao movimento foi o positivismo com que nós exclamamos: 'O Senhor virá nas nuvens do céu' o dia décimo do mês sétimo. Tire-se o positivismo e o acontecimento ao qual se refere esse positivismo, e ninguém crerá que a excitação que existia tivesse nascido. Agora, bem, era de Dios o positivismo de que esse acontecimento ocorreria nesse tempo? Não me atrevo a dizer que o era, não mais do que me atreveria a acusar ao Espírito Santo de falsidade . O acontecimento não ocorreu....

"Como o acontecimento não ocorreu, equivocamo-nos ao supor que éramos impulsionados pelo Espírito Santo ao anunciar o clamor que anunciamos com respecto à maneira e ao tempo . Repito, não era de Dios Não estou disposto a dizer que era do diabo, mas não há senão outra fonte à qual pode atribuírsele. De aqui que a expressão mais suave que posso usar é dizer do que era mera influência humana, ou mesmerismo. Cada dia me confirma mais e mais do que esta é uma palavra verdadeira, e o fanatismo que se manifesta quase continuamente em alguma forma entre os que todavia insistem em que o movimento inteiro acerca do dia décimo era completamente de Dios, serve para reforçar minha convicção de que fomos enganados por uma mera influência humana, que confundimos com o Espírito de Dios... Que o Senhor nos perdoe no que erramos ou nos temos descarriado, e nos ajude a ser humildes e possuir mansedumbre cristã no tempo que tem de vir.

"Esta carta é dirigida em amor a todos aos que lhes possa concernir.

"George Storrs."

Nenhuma palavra pode expressar o assombro e a completa consternação que esta mudança de fé causou nos infelizes seguidores do Profeta Miller. Maravillados ao ouvir tal opinião expressada por um dos principais instigadores do movimento do dia décimo do mês sétimo, protestaram fortemente contra uma declaração assim em relação com as grandes emoções que os tinham sacudido, mas quando cada denúncia e cada reconvención era lançada contra ele, o Irmão Storrs replicava com desconcertante precisão:

"É uma verdade que Dios declarou: 'Quando um profeta falar em nome de Jehová, e não se cumprir o que disse, é palavra que Jehová não falou.'

"De aqui que seja uma verdade que o clamor do dia décimo não era do Senhor. ¡E de aqui também que atribuir esse clamor ao Espírito do Senhor se pareça muito ao pecado contra o Espírito Santo!"

E como se seu restaurado equilíbrio tivesse acordado nele um incontrolável desejo de pôr as coisas num inflexível nível de sentido comum, efetivamente lhes tirou o alento a seus antigos amigos declarando o seguinte no mesmo artigo que apareceu em "The Morning Watch" de Fevereiro 20m 1845, cujo editor era o Pastor Himes:

"Poderia entrar em detalhes e demonstrar, como pode ver-se facilmente, que os que se sentem menos suspeitos atuaram sob uma mera influência humana, ¡mas me abstenho!"

Tal ataque, evidentemente dirigido a seu dirigente, confundiu e alarmó aos que todavia permaneciam sob a influência do engano, e "The Morning Watch" de todo esse período ressoa com reconvenciones e controvérsias - todos dizendo o que pensavam.

Os seguidores do Profeta Miller estavam agora saindo-se das filas por milhares, estando alguns deles tão fatos trizas pela excitação pela que tinham passado que na reação que seguiu se converteram em ateus, e pateaban o solo e denunciavam as coisas do Espírito; enquanto, pelas mesmas leis de ação e reação, muitos dos que todavia estavam enganados iam a extremos ainda maiores de fanatismo, perdendo todo sentido das proporções e o sensato razonamiento. Um grupito, ainda que aturdido e quase abrumado pelas pullas e as provocações do implacável mundo, permaneceu fiel aos credos da doutrina do Profeta Miller, mas até eles continuamente mudavam e modificavam certos pontos dela para ajustá-la à situação. %[Se calculou que o número de Milleristas sinceros e genuínos somavam 50,000, mas a estes se adicionavam exércitos de seguidores que criam tentativamente e seguiam aos verdadeiros crentes num estado de aterrorizada incerteza. Eram tão sonoros em suas expressões de convicção como quaisquer, mas quando o fim não chegou, apartaram-se, negando ter participado alguma vez no movimento. Tinha também grande número de pessoas que se converteram em seguidores principalmente pela excitação assistiam a todas as reuniões que tinham lugar em seu vecindario, e até o fim fizeram sua parte em difundir o fanatismo à direita e à esquerda A iminente aproximação do Juízo não preocupava a estes tanto como aos mórbidos e a estes, a prazenteira excitação de preparar-se para ele.]

Certamente muitas coisas estavam sucedendo para desconcertar até aos mais leais. Como exemplo, o caso da Irmã Mathewson fez que muitos se detivessem a reflexionar. Após uma investigação geral em relação com a sorte final de seu caso, "The Morning Watch" de Março 20, 1845 diz: "Contestamos que a Irmã Mathewson seguiu o caminho de todos na terra. Morreu faz como dois meses. É bem sabido que ela a menudo afirmava que viveria até que viesse o Salvador."

Mas, ao mês seguinte, o 11 de Abril, o Pastor Himes escreveu uma carta, que publicou, e que dizia: "O Irmão Mathewson me infoma que nós estávamos equivocados quanto à morte de sua irmã. É também um erro o que ela tenha dito que viveria até o Advenimiento. Isto foi inferido de algumas de suas observações pelos que a visitaram. Ela todavia vive, mas está bastante débil. Ela agora come o suficiente para sustentar-se com vida."

Foi descorazonador. ¡Todo sobre o que tinham feita ênfase parecia subitamente converter-se em pó e cinzas!

Quanto ao ancião Profeta, é evidente que não compreendia a situação por completo. Estava esgotado e enfermo de corpo e afligido de mente, e sua grey já não acatava cada palavra que saía de seus lábios com o mesmo sentido de convicção que a tinha cativado antes. Parece ter estado completamente ignorante das negações do Pastor Himes, e ignorava as acusações do Pastor Storrs em relação com as influências mesméricas; sua mente se aferraba tenazmente a sua idéia fixa - o Senhor vinha. Não demoraria muito. Poderia vir em qualquer momento, ¡e não deveria encontrá-los dormindo! E assim, como um velho soldado ferido, se ciñó seus lombos novamente, e pedindo a ajuda de um de seus irmãos na fé, saiu impávido a dar a voz de alarme uma vez mais, mas o gastado esqueleto terrenal vacilava. A amarga descoberta de que tinha perdido o poder de dirigir a muitos aos que uma vez tinha sido profeta e guia, junto com o agotamiento de achaques físicos, arrancou-lhe uma exclamação de queixa, e o 27 de Novembro de 1846 lhe escreveu ao Pastor Buckley:

"Todavia tenho dores. Desde que Ud. foi-se, têm-me estado molestando as dores de cabeça, as dores de moas, as dores nos ossos, e a dor no coração, mas muito mais este último, quando penso em meus uma vez queridos e amados irmãos que, desde nosso desengano, converteram-se em fanáticos de todas as classes. ... E agora, pode Ud. culpar-me por desejar uma ermida, longe das malas novas e as vergonhosas ações de nossos amigos neste tempo de severas provas?"

Seu biógrafo, o Pastor Bliss, fala desta angústia de mente e coração como segue: "Como seus achaques aumentavam, e suas forças diminuíam, doíam-lhe muito as irregularidades, as extravagancias, e os estranhos caprichos praticados ou aceitados pelos que se tinham apartado de seus ensinos e conselhos."

Ignorante do que agora se chama "psicologia de multidões," se sentia perplexo pela incapacidade de suas palavras para reprimir essas misteriosas correntes mentais que tinham sido os meios para acelerar os pensamentos, mas que agora já não podiam controlá-los. Em vão suplicava a seus seguidores que não fixassem nenhuma outra data específica para a vinda do Senhor. Não lhe prestavam atendimento. Era inútil que o Pastor Himes reiterasse o anúncio que tinha publicado em "The Midnight Cry" o 7 de Novembro de 1844 depois do fracasso da profecia: "Não sabemos o tempo preciso deste acontecimento... Com nossa luz atual, não temos uma revelação de um dia ou hora definida, mas si cremos plenamente que devemos velar e esperar..."

Era inútil; agora queriam sair-se com a sua, e fazer suas próprias profecias; protegiam-se até onde era possível dos olhos do público, mas entre eles mesmos, iam para atrás e para adiante, exclamando primeiro isto e logo aquéllo, tratando deencontrar soluções às perguntas que os inquietavam.

Alguns deles, em profunda e genuína angústia mental, começaram a ver destellos de luz. "O erro esteve em pensar que a vinda devia ser material invés de uma experiência espiritual," exclamaram; e estes, que subitamente adquiriram uma mais clara visão, eventualmente conseguiram sair do labirinto de seu dilema e chegar a terreno seguro e seco, mas o ancião Profeta não quis escutar esta opinião. Ansiava ver ao Senhor em sua carne - escutar sua voz com seus próprios ouvidos humanos - sentir o coração terrenal dentro dele palpitar com éxtasis ao som de sua voz. Não podia e não queria aceitar o significado exclusivamente espiritual das palavras que ele tinha ponderado por tanto tempo; era a realização material delas o que ele ansiava - o cálido toque da mão humana de nosso bendito Salvador, vê-lo morando de novo nesta terra que, ainda que purificada pelo fogo, sem dúvida se pareceria à terra que ele, William Miller, conhecia e à qual estava acostumado. Essa era a soma total de seus desejos. Se aferraba a ela, e não queria soltá-la.

Mas agora se notavam muitas mudanças nele. Já não aterrorizava a seus seguidores com espeluznantes relatos do inferno; agora parecia desejar impressionar em suas mentes a consoladora esperança do céu. Todas as controvérsias entre eles o procupaban e o irritavam. Sua cabeça se sentia cansada com suas perguntas e especulações. Enquanto eles adaptavam os dogmas de sua fé para ajustá-los a eles mesmos, e discutiam subtilezas acerca de qual teria de ser a sorte dos impíos, a mente dele se explayaba sobre a paz e o gozo prometidos aos que se esforçavam por viver em rectitud.

O 27 de Setembro de 1847, escreveu-lhe ao Pastor Himes: "A questão do aniquilamento dos impíos não me é útil nesta vida Pelo que a mim concierne, estou decidido, que Dios me ajude, a não pertencer a essa classe de pessoas no mundo por vir. Não me maravilha que o mundo nos chame loucos, porque confesso que me parece loucura ver a homens religiosos e ingênuos malgastar seu tempo e seu talento em questões de tão pouca importância aqui e no mais lá."

Agora se propaló por todas partes, não somente pelo mundo em general, senão também por muitos de seus seguidores, a idéia de que as opiniões do Profeta Miller estavam por completo sob o controle do Pastor Himes, e isto inquietava seu orgulho e o enojaba. De acordo com seu biógrafo, o Pastor Bliss, Miller escreveu uma carta o 26 de Outubro de 1847 dirigida ao Pastor Himes, publicada para benefício do público, e que dizia assim: "Alguns me acusaram de que eu fui influído por Ud. e por outros Não é assim. Quero dizer a todos que nunca fui mandado pelo Irmão Himes; que eu saiba, jamais tratou de dirigir-me a mim. Mas estas coisas não me afetam. Posso suportar todo o que meus inimigos podem amontoar sobre mim, com a ajuda do Senhor."

O mundo não dá quartel aos fracassos, e o fracasso da profecia naturalmente submeteu a William Miller a um completo ridículo, mas a diminuição de sua supremacia sobre a opinião de muitos, que até o momento do fracasso tinham considerado sua palavra sobre as interpretações bíblicas como a autoridade final, foi uma humillación tão amargura como qualquer que tivesse tido que suportar. ¡Mas cuán seguramente chega a retribuição! Em sua juventude, ele se tinha burlado e tinha ridiculizado a outros por suas convicções religiosas; agora lhe tocou o turno de sofrer todo a dor que ele tinha infligido a outros, e sob a tensão dele, sua saúde se deteriorava de maneira muito notável. Então caiu sobre ele um golpe demoledor. ¡Os olhos que por tanto tempo tinham escrutado os céus procurando sinais da vinda do Senhor foram atacados de cegueira! Foi como se sua vista humana tivesse que desaparecer antes de que pudesse obter a visão espiritual.

"Nunca o ouvi murmurar ou dizer que aquilo foi duro. Creio que se sente algo decaído, mas não abandonado." Assim escrevia uma de suas nueras em relação com sua aflicción.

Para finais de Abril de 1849, suas forças começaram a faltar-lhe rapidamente. Numa carta que lhe ditou ao resto de seus seguidores que se reuniu numa conferência em Boston o 10 de Maio, disse:

"Meus múltiplosmúltiplos e crescentes achaques me advertem que o tempo de minha partida se acerca. Meus trabalhos terrenais cessaram, e agora espero o chamado do Maestro, para quando ele apareça estar pronto ou, se lhe place a ele por um pouco de tempo enquanto se dilata sua vinda, partir para estar com Cristo, que é muito melhor do que morar na carne. Sinto que só tenho poucas opções, já seja que continue com vida até esse acontecimento, ou que meu espírito se reúna com os espíritos de homens justos fatos perfeitos.

"Comoquiera que a Dios lhe plazca dispor de mim, sustenta-me a bendita segurança de que, já seja que esteja desperto ou durma, estarei presente com o Senhor."

Um curto relato dele, proporcionado pelo Pastor Robinson, que o visitou em Dezembro, é como segue: Após descrever sua aproximação à granja, diz:

"Se me deu as boas vindas no estilo singelo, cordial, e moderado da família de um granjero cristão de Vermont. Esse semblante agradável e radiante de sua esposa, e o cordial apertão de mãos, disseram-me que eu estava em casa; e a marmita de milho moido acabada de tirar do fogo em seguida anunciava meu jantar. E todos os membros da família, inteligentes, modestos, e cordiais, fizeram-me sentir quanto se alegravam de minha visita e de ouvir notícias de fora.

"Em seguida se me convidou a entrar ao 'quarto do este,' onde 'Papai Miller' me saudou... Tinha mudado muito, e no entanto , não tanto como para deixar atrás todos os delineamientos alimentícios de uma anterior amizade. Seus sofrimentos durante o verão e o outono tinham sido muito grandes. Suas veneráveis mechas brancos eram poucos e escassos, e sua carne como a de uma criança. Mas sua voz era plena, sua memória boa, e seu intelecto notavelmente forte e claro, e sua paciência e resignação notáveis.... Estava seguro de que não faltava muito para a vinda do Senhor. Desejava que viesse cedo; mas, se não, que ele fosse levado à presença do Senhor."

E assim, o Profeta errante - que tinha percorrido os caminhos ruurales e as ruas das cidades, ao norte e ao sul, ao este e ao oeste - tinha regressado, cego e fato trizas, ao pulcro e bem cuidado lar onde durante todos estes anos sua fiel esposa, Lucy Miller, tinha mantido o fogo acendido e criado oito dos dez filhos que lhe tinha dado. Ali jazia ele, em sua impotência e aparente derrota. Quando ela olhava dentro dos olhos sem vista e via o esqueleto desgastado e o cabelo café que se tinha voltado plateado, recordaria ela ao jovem soldado de seus anos mozos, que tinham passado fazia tanto tempo?

Na manhã do 17 de Dezembro de 1849 , quando viram que o fim estava próximo, mandaram a trazer ao Pastor Himes. O homem que tinha sacado a William Miller dos distritos rurais e o tinha levado ao redemoinho das grandes avenidas, que tinha preparado o caminho durante os turbulentos anos do engano, e lhe tinha ajudado a proclamar sua transcendental advertência, era o homem que agora ele chamava. Sobre ele desejava que caísse sua capa.

Uma carta do Pastor Himes, escrita em retrospectiva faz um curto mas memorável relato das poucas palavras que se cruzaram entre eles. %[Sylvester Bliss, Life of William Miller].

Ao entrar à habitação," escreveu, "imediatamente reconheceu minha voz. Tomou-me a mão e a sustentou por algum tempo, exclamando com muita seriedade e em tom afetuoso: 'É este o Pastor Himes? É o Pastor Himes? Oh, é o Pastor Himes? Alegro-me de vê-lo.'

"'Então me conhece, Pai Miller, verdade?'

"'Oh, si. Entendo, sê o que está passando'

"Permaneceu silencioso por alguns instantes, aparentemente em profunda meditação. Logo entrou no tema de minha relação com a causa do Advenimiento, e falou de minha responsabilidade; expressou muita ansiedade acerca da causa, e aludiu a sua própria partida."

O Pastor Himes tratou de tranqüilizá-lo. "Pelo que a mim concierne," lhe disse, "espero que a graça me permita ser fiel no ministério que recebi."

Isto pareceu consolarlo, e caiu numa espécie de sonho ligeiro, pois estava muito débil.

Em alguns minutos, recuperou-se. "O Pastor Himes veio," disse. "Amoo ao Pastor Himes." Logo veio outra pausa.

Se tinha sido abandonado por todos, exceto por um grupo comparativamente pequeno de seguidores, sua própria família habia compensado isso com sua terna solicitação e devoção. Parecia querer ouvir os antigos hinos dos dias de sua juventude, e todos se reuniram ao redor dele, e a solicitação dele cantaram:

"Há um mundo de puro deleite
Onde os santos reinam imortais
O dia infinito exclui a noite
E o prazer desterra a dor."
Pareceu encontrar grande solaz nestas palavras. Logo lhe cantaram: "Feliz o espírito livrado de sua argila."
E o cansado ancião murmurava uma e outra vez: "¡Oh, anseio estar ali!"

Apesar de todas as vicisitudes de sua estranha vida, tão completamente entregada a proclamar sua frustrada profecia; apesar do desengano e a amarga humillación que recebeu como fruto de seu trabalho, sua morte foi feliz, e deve dizer-se que a enfrentou com o valente espírito de um velho soldado.

Nunca se apartou de sua idéia fixa, senão que lhes assegurou a todos com seu acostumado positivismo que o Senhor vinha, que estava "às portas," e na manhã do 20 de Dezembro, olharam-no, e logo se olharam entre si e inclinaram as cabeças, porque souberam que, para ele, isto era verdadeiro.

Foi enquanto sua esposa e seus filhos e filhas e o Pastor Himes velavam em silêncio ao lado de sua cama, quando o chamado chegou.

Como sentinela de guarda em seu posto, o ancião Profeta respondeu. Seus olhos sem luz se abriram de par em par e olharam fixamente ao espaço, mas era com os olhos de sua alma com os que contemplou a todo suficiente visão.

"¡Victoria! exclamou várias vezes, alçando sua desfalleciente voz. "¡Victoria! ¡Clamar na morte "

E assim, souberam que, por fim, para ele, o bendito Salvador tinha vindo.

%[Se construiu uma igreja em Low Hampton, New York, à memória de William Miller.]

ARTIGO DO DR LUIS NUNES

gcarsantos@gmail.com — 25-12-2006 GTM 1 @ 14:49

DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO CRISTOLÓGICO NA IASD
Luiz Nunes
Mestre em Teologia. Doutorando em Teologia Pastoral, IAE ct., Eng, Coelho, SP.
Diretor e professor do SALT-IAENE, em licença.

A divindade e a pré-existência de Cristo foram aspectos doutrinários da Cristologia, que se estabeleceram, progressivamente, no seio IASD até a primeira metade do século XX. Os unitarianos, procedentes dos congregacionalistas, se estabeleceram, durante a história americana, na região da Nova Inglaterra (berço do adventismo sabatista) como um movimento anti-calvinista e contrário à ligação Igreja e Estado, por isso são chamados de “Ala Esquerda.”1

Os movimentos religiosos surgidos nessa região sofreram essa influência teológica anti-trinitariana. Nesse contexto, emergiu entre outras seitas (Universalistas, Batistas do Livre Arbítrio), o grupo religioso arminiano denominado de cristãos, também conhecidos como Conexão Cristã (anti-calvinista e anti-trinitariano).2

O órgão de comunicação da Conexão Cristã para o leste dos Estados Unidos era o The Christian Herald and Journal. Essa publicação cedo se identificou com o movimento milerita. Em seu número de 3 de dezembro de 1840, o editor Philemon R. Russel critica a Josias Litch por ter posição favorável à Trindade, pois, segundo ele, (Russel), os cristãos não são trinitarianos. Por outro lado, Guilherme Miller, a principal figura do movimento milerita, no seu segundo artigo de fé, datado de 5 de setembro de 1842, demonstrou crer que a Divindade era constituída de três pessoas distintas.

A origem religiosa de outros mileritas, contudo, atesta sua posição favorável à doutrina da Trindade, pois eram em sua maioria procedentes da Conexão Cristã.

Em janeiro de 1846. Tiago White se pronunciou contra a doutrina da trindade e da eternidade divina de Jesus Cristo. No artigo “The Seventh-day Sabbath not Abolished”, de fevereiro de 1854, J.B. Frisbie declarou-se anti-trinitariano, por considerar tal conceito como sendo de origem pagã. No mesmo ano, James M. Stephenson negou ser Cristo co-existente e co-eterno com o Pai. No início de 1859. Uriah Smith registrou sua crença de que o Espírito Santo é apenas um princípio de vida. Três anos depois, D. Hildereth manifestou a mesma opinião. Em 1869, J. N. Andrews declarou que só o Pai é o único ser do Universo que não tem início, enquanto R. F. Cottrell afirmou, no mesmo ano, que a Trindade é uma perigosa doutrina procedente do papado. O pastor D. E. Robinson, que era íntimo da família White, afirmou, em 1871, que James White permaneceu contrário ao trinitarianismo até a sua morte.

Apesar de toda rejeição de se escrever um credo, em 1872, os adventistas sabatistas apresentaram suas crenças no livro Fundamental Principies. Parece que houve, então, uma disposição propositada em omitir qualquer declaração sobre a Trindade.

Isto por si só permite admitir que, possivelmente, havia uma tendência contrária ao trinitarianismo.

O Instituto Bíblico reunido na primavera de 1877, em Oakland, na costa do Pacifico, deixou transparecer, através de seus palestrantes, que o Espírito Santo é uma mera emanação ou influência proveniente da parte de Deus.

Importantes líderes do movimento adventista, portanto, repudiavam a doutrina trinitariana. Josué Himes, Tiago White, José Bates, J. N. Andrews, John Loughborough, Uriah Smith, J. H. Waggoner, D. M. Canright e outros manifestaram sua rejeição em considerar Jesus Cristo como co-eterno e da mesma substância do Pai, igualmente negaram que o Espírito Santo fosse um ser pessoal.

Durante o século XIX, a maioria dos líderes e escritores adventistas era anti-trinitariana e via o Espírito Santo como uma energia, que possibilita a presença de Deus em todo lugar. Ao mesmo tempo, Jesus Cristo era considerado como não tendo a mesma substância do Pai, nem sendo co-eterno e pre-existente com Ele. O Filho de Deus era considerado como subordinado e derivado do Pai.

Havia pelo menos, sete razões por que os primeiros adventistas rejeitavam a doutrina da Trindade, e com ela a divindade de Cristo e a personalidade divina do Espírito Santo;

para eles (1) a doutrina da Trindade era anti-escriturística, (2) o trinitarianismo foi considerado contrário ao bom senso (irrazoável), uma vez que confunde as pessoas da Trindade e o número delas, (3) destruía a personalidade de Deus, porque consideravam-nO como um ser incorpóreo. (4) subvertia a doutrina da expiação por não crer que o divino morreu em Cristo, (5) o trinitarianismo originou-se do paganismo, porque ensinava o politeísmo, (6) era uma herança teológica do papado e (7) opunha-se à vida devocional. pois não via em Deus uma pessoa definida.

Nesta fase da crise cristológica estava em jogo o futuro do que seria a Doutrina de Deus dos adventistas do sétimo dia. O direito de se crer ou não em Cristo como sendo da mesma natureza de Seu Pai envolvia a aceitação ou a rejeição da Trindade e, portanto, da personalidade divina do Espírito Santo, além de comprometer a finalidade missiológica dos adventistas do sétimo dia.

A suplantação desse conflito doutrinário foi um processo gradativo. D.T. Boudeau é chamado por Russel Holt de o “precursor do trinitarianismo”, pois, tão cedo quanto 1864, ele declara Jesus como sendo igual a Deus e possuindo toda a plenitude da divindade.

Doze anos depois, registra-se uma declaração de Tiago White em que a crença dos adventistas do sétimo dia na divindade de Cristo era muito próxima do conceito trinitariano.

No mesmo ano (1876), N. Downer declarou que a ressurreição de Cristo foi um ato próprio, de Deus Pai e do Espírito Santo, referindo-se assim às três pessoas da Divindade.14

Essas declarações são uma evidência que havia pessoas entre os adventistas do sétimo dia estudando o tema da Trindade.

A última década do século XIX marcou o período da mudança no estabelecimento da divindade de Cristo, na aceitação da personalidade divina do Espírito Santo e da doutrina da Trindade. Quinze anos após a declaração de Dower (1891), Lee S. Wheeler comentando Efésios 4:4-6, declara que, nessa passagem e em muitas outras da Escritura, é feita uma distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito. Um ano depois, foi editado na Bible Student's Library dos adventistas do sétimo dia, um artigo de Samuel T. Spear (pastor batista), sob o título de “The Bible Doctrine of the Trinity.”

Em 1895, Alonzo T. Jones pregou na sessão da Conferência Geral, um sermão em que apresentou o relacionamento pessoal entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

No mesmo ano aparece mais uma declaração de Ellen White sobre o assunto, quando afirmou que há “três pessoas viventes no trio celestial”.

Em 1898, é publicada a primeira edição do livro Desejado de Todas as Nações onde ela declara, entre outras coisas, que, em Cristo, há vida original, não derivada. Ellen White é o ponto decisivo para o entendimento da Divindade para os adventistas do sétimo dia.

Outro fator também relevante foi o falecimento da maioria dos líderes unitarianos até o início da primeira década do século XX.

É em parte por isso que a IASD retardou sua visão missiológica por cerca de 57 anos (1901).

As declarações de fé dos adventistas ao longo de sua história demonstram uma clara mudança sobre o assunto. Foi, contudo, em 1931, que os adventistas afirmaram a Divindade como três pessoas co-eternas, onipotentes. onipresentes e oniscientes.

Depois, o relatório da Conferência Bíblica de setembro de 1952 deixou confirmada a plenitude da divindade de Cristo como aparece no livro Our Firm Foundantion.

Cinco anos depois (1957), publicou-se o livro Questions on Doctrine preparado por um representativo grupo de líderes e eruditos adventistas do sétimo dia, apresentando ao mundo evangélico um claro perfil evangélico da doutrina adventista do sétimo dia. E, em 1971, o pastor LeRoy E. Froom pôs na mão da igreja sua discutida análise sobre 1888. enquanto contribuía decisivamente para o estabelecimento final do conceito de Trindade, da plenitude da divindade de Cristo e da personalidade divina do Espírito Santo.

Conceitos esses confirmados, posteriormente, pela declaração das Crenças Fundamentais, votada na Assembléia Geral de l980, em Dallas.

Dessa forma este aspecto da crise cristológica estava suplantado.

(Artigo extraído da REVISTA TEOLÓGICA do SALT - IAENE, Vol. 1, Janeiro - Junho 1997, número 1, páginas 26 a 30)
posted by gilberto cardoso dos santos @ 1:17 PM

ARTIGO DR VELTMAN

gcarsantos@gmail.com — 25-12-2006 GTM 1 @ 14:41

Projeto O Desejado de Todas as Nações: o detalhe
1ª Parte de uma série de duas
Por Fred Veltman
(Ministry, Outubro de 1990)
O fato de que Ellen White usou fontes literárias na produção de seus escritos tem sido conhecido por mais de um século. Mas em janeiro de 1980, Walter Rea, então um pastor Adventista no sul da Califórnia, apresentou a evidência de que a dependência literária de Ellen White era maior do que havia sido reconhecido antes. A natureza e o espaço de seu empréstimo literário, entretanto, particularmente para todos os livros dados à exceção de O Grande Conflito, eram ainda matéria de especulação. Quanto material verbatim havia em seus escritos, especialmente suas narrativas, descrições, e comentários teológicos sobre as Escrituras? Em que grau era dependente das fontes literárias? Os comentários dela refletem a influência de outros escritores? De que escritores pediu empréstimos e de que tipo dos livros? Ellen White fez a cópia, ou era feito por ela assistentes literários? Poderia inconscientemente ter usado as expressões literárias de outros autores - teve uma memória "fotográfica"?
These and similar issues had to be addressed before one could treat the charge of plagiarism leveled against Ellen White, and the questions being raised over the nature of her inspiration.
The General Conference of Seventh-day Adventists sponsored an in-depth investigation into Ellen White's use of literary sources in writing The Desire of Ages. The research, which spread over a period of almost eight years and involved the equivalent of five years of full-time work, was completed about two years ago. Adventist colleges and universities throughout the world received copies of the full report on this in-depth study. All of the Ellen G. White Estate research centers also carry a copy of the final document. 1
Space requirements dictate that my comments focus on the conclusions of the investigation. But for the benefit of those readers who may not be acquainted with the study, I will briefly touch on its textual base and methodology. And for those who may be interested in my own reaction to the results of the research, a personal postscript accompanies the concluding article of this series. 2 I make no attempt here to document or argue the evidence supporting the conclusions.
Este e edições similares tiveram que ser dirigidas antes que uma poderia tratar a carga de plágio nivelada de encontro ao de Ellen White, e as perguntas que estão sendo levantadas sobre a natureza de sua inspiração.
A conferência geral dos Adventistas do Sétimo-dia patrocinou uma investigação in-depth do uso que Ellen White fez de fontes literárias ao escrever O Desejado de Todas as Nações. A pesquisa, que se estendeu por um período de quase oito anos e envolveram o equivalente a cinco anos do trabalho em tempo integral, foi concluída aproximadamente há dois anos. As faculdades e as universidades de Adventistas em todo o mundo receberam cópias completas do relatório neste estudo in-depth. Todos os proprietários dos centros de pesquisa de Ellen G. White têm também uma cópia do original final. 1 As exigências de espaço requerem que meus comentários sejam focalizados nas conclusões da investigação. Mas para o benefício daqueles leitores que não podem ser familiarizados com o estudo, eu tocarei momentaneamente em suas base e metodologia textual. E para aqueles que podem estar interessados em minha própria reação aos resultados da pesquisa, um postscript pessoal acompanha o artigo ao concluiir esta série. 2 eu não faço nenhuma tentativa de documentar ou discutir aqui a evidência que suporta as conclusões.
A base textual de Ellen White
O Desejado de Todas as Nações inclui tanto narrativa quanto comentário teológico. Quase todo capítulo está baseado em alguma porção das Escrituras. Se Adventistas estavam preocupados quanto ao uso de fontes feito por Ellen White, este livro, possivelmente o mais amado de todos os escritos dela, foi o texto óbvio para estudo.
A motivação de Ellen White para escrever O Desejado de Todas as Nações nasceu de seu desejo de preparar uma mais completa e acurada imagem da vida de Cristo do que a que estava contida em O Espírito de Profecia., volumes 2 e 3, um novo livro que colportores adventistas pudessem vender ao público. Por cerca de 40 anos ela escreveu sobre o tema, finalmente tendo O Desejado de Todas as Nações publicado em 1898. Ela adquiriu tanto sobre o assunto que veio a ter material suficiente para completar mais dois livros adicionais, Parábolas de Jesus e o Sermão da Montanha. Muito do que ela escreveu para O Desejado de Todas as Nações primeiro viu publicado como artigos em vários jornais adventistas.
Initially we researchers were assigned to study the entire text of The Desire Ages-all of its 87 chapters and more than 800 pages. We soon found we had neither the time nor the staff to tackle project of such scope. To reduce the textual base to manageable size, we asked statisticians to select 15 chapters that would serve as a random sample of the full text. 3
Nós investigadores fomos designados inicialmente para estudar o texto inteiro de O Desejado de Todas as Nações -todos os seus 87 capítulos e as mais de 800 páginas. Nós encontramos-nos logo tivemos nem o momento nem a equipe de funcionários de tackle o projeto de tal espaço. Para reduzir a base textual ao tamanho manageable, nós pedimos que os statisticians selecionassem 15 capítulos que serviriam como uma amostra aleatória do texto cheio.

Ellen White did not write The Desire Ages chapter by chapter from scratch. Rather, for the most part it was compiled from her earlier writings. So the pre1898 unpublished manuscripts and the articles published prior to that year afforded a textual base more representative of her own handiwork. Using the subject matter of the 15 chapters as our control, we searched all the earlier writings of Ellen White to locate the letters, manuscripts, and articles in which she had written on these same subjects. To distinguish these texts from the text of The Desire of Ages (DA), we have designated them pre-DA.
Methodology
We were commissioned to study Ellen White's use of literary sources. For an investigation of this type, the obvious research method is source analysis, or what is commonly called source criticism. In this kind of study, the researchers select literary subunits to serve as the basis for comparing the major text and the possible source texts. They establish criteria to permit them to find the literary units that are parallel and to determine the degree to which the two units resemble each other.
We selected the sentence as the unit of comparison. The 15 chapters of the DA text contained 2,624 sentences, and the pre-DA text furnished 1,180 sentence units. 4
We also established a scale of seven levels of dependency. The criteria differentiating between these levels of dependency were the amount of verbatim words and the order of the elements in the sentences. For instance, if a sentence from an Ellen White text was in every respect identical to one in a source text, we labeled it "strict verbatim" and gave it a dependency value of seven. In cases where the sentences were identical except that an obvious synonym had been substituted for a word, we identified the sentence as "verbatim" and gave it a value of six-indicating that it had a lesser degree of dependency than "strict verbatim" with its value of seven.
When the Ellen White text and the source were identical because both writers were depending directly on Scripture, we labeled the sentence "Bible quotation" and gave it a dependency rating of zero. When there was no clear indication of literary dependency, we called the sentence "independent" and gave it a dependency value of zero - even when the content of her DA text was very similar to that of a source text. 5
Literary dependency is not limited to parallel sentence structure and verbal similarities. Authors may also consult sources for the arrangement of the sentences and the thematic development of a chapter. So our analysis of the DA text included a study of possible editorial or redactional dependency.
In our investigation we examined more than 500 works, mostly nineteenth-century works on the life of Christ. Of course, Ellen White was not limited to this type of literature when she wrote on the life of Christ. She also had access to sermons, devotional books, Bible society tracts, Bible commentaries, and general Christian literature, and could have borrowed materials from any of these sources. In view of the fact that we did not review all the life-of-Christ materials available to Ellen White, much less the literature from other genres she is known to have read, there is no way this probe could be called complete or exhaustive. So the reader must consider the summations and conclusions that follow as minimal if not tentative findings, even though we made every possible effort to conduct a thorough and careful study.
Summations
From the outset of the study and throughout its long course I constantly faced questions relating to the conclusions. What do you think you will discover? Will you be able to report the results of your study without having your ministerial credentials revoked? Will the church publicize your findings? Have you changed your views on Ellen White? Do you still believe that she was inspired? Did her secretaries do the copying? Did you find any disagreement between her writings and Scripture? Do you think a believer has any right to look for sources behind inspired writings? Do you think the writers she used were inspired?
Marian Davis compiled Ellen White's earlier writings on Christ's life into scrapbook form. It was from this collection that the DA text was developed.
While these inquiries were appropriate and appreciated, they were not the issues troubling me. I had other concerns. How could we approach the analysis of the textual data fairly and consistently? How accurate would our conclusions be when based upon a random sample consisting of 15 chapters of varying length, content, and source dependency? Could our conclusions serve as valid generalizations about the entire text of The Desire of Ages and Ellen White's method of writing her books, particularly her commentaries on the great controversy between good and evil as covered in Scripture? 6
My solution was to study each chapter in terms of its own special nature. I hoped that I would be able to let the data determine the questions to be asked, and I endeavored to be open to any new insights, even new perplexities, that might emerge from the analysis. In the end I developed a list of 14 questions that I asked in regard to each chapter. I hoped that these questions would help to keep my analysis focused and consistent despite variations in the text and possible changes in my outlook as the study progressed.
It became very clear to us that it was Ellen White herself who was copying from the sources.
In what follows, I present the 14 questions and the corresponding summary statements derived from our analysis of the 15 chapters. The statements, of course, present in abbreviated form what is more fully layed (sp) out in chapter XVIII of the report. The questions and answers offer further clarification on the nature and scope of the study and largely form the evidence supporting the five general concluding statements that I give in the second article.
1. Do we have any original (hand-written) manuscripts of Ellen White on the DA text?
No chapters have been located in either handwritten or copy form. Several sentences from three chapters have been found in Ellen White's diaries, and significant portions of three additional chapters were developed from manuscripts dating from 1897. Handwritten and copied texts exist for portions of the pre-DA text, treating the content of 10 of the 15 chapters.
2. Does the DA text represent an increase or a reduction in the coverage of topics Ellen White treated in her earlier works? And if she enlarged her coverage, is the expansion to be accounted for by a greater dependency on sources?
No consistent answer emerges. Some topics receive more attention, and others less. Where the commentary has been extended, we also find more independent material. The DA text generally represents a lesser degree of dependency than does the pre-DA text, and the longer chapters of DA show no greater use of sources than do the shorter ones.
3. How does the content of the DA text compare in general with the content of Ellen White's earlier writings on the life of Christ? Can we detect any influence of the sources on the content?
Doing source analysis involves giving some consideration to content, but finding a definitive answer to this question would require a separate study. Generally speaking, there is strong agreement between the later and earlier writings except where the earlier text needed revision. No doubt much of the agreement results from the use of the same sources for both the earlier and later writings. The DA text manifests a stronger spiritual appeal, no doubt because of the evangelistic purpose that motivated and guided its production.
4. Are there any significant differences between the DA text and the pre-DA text?
Differences appear in the order of events in the life of Christ, in how the two texts harmonize the Scripture accounts, and in DA's exclusion of some extrabiblical stories contained in the pre-DA text. No doubt the sources influenced to some degree the chronology of Ellen White's narrative account and the thematic arrangement of some of her chapters in the DA text. It is not always possible to tell when the revision is the result of the source's influence or of a closer reading of the biblical account.
5. How much of the DA text reveals literary dependency?
6. What is the extent of Ellen White's literary independence in writing DA?
7. What is the degree of dependence of the DA text?
Questions 5, 6, and 7 address the basic issue of literary dependency. Of the 15 chapters, 2,624 sentence units, we found 823 (31 percent) to be in some degree clearly dependent upon material appearing in our 500-plus literary sources. We found that 1,612 sentence units (61 percent) showed no verbal similarity to any of the sources we investigated. The average dependency of the 823 dependent sentences rated just a little higher than the level of "loose paraphraser (3.3).
8. What major works were used by Ellen White in writing the DA text? 7
We found 10 books from which Ellen White drew 10 or more literary parallels per Desire of Ages chapter. The Life of Christ, by William Hanna, heads the list with 321 source parallels. Night Scenes of the Bible and Walks and Homes of Jesus, both by Daniel March, come in second with 129 parallel sentences. 8
Ellen White drew from Hanna's work for nearly every one of the 15 chapters. But she tended not to use the other sources in such a general way, tending rather to draw mostly from a single source for each chapter that we found to be dependent. Which other source she used varied from chapter to chapter.
9. What additional sources contributed to the DA text?
In addition to the major sources, we found that 21 works written by 20 authors had a minor impact on the 15 chapters. Two authors had works in both the major influence and minor influence categories.
10. What literary sources were used in the composition of the pre-DA writings?
Marian Davis compiled Ellen White's earlier writings on Christ's life into scrapbook form. It was from this collection that the DA text was developed. As a result of this method of book production, many source parallels appearing in the DA text make their first appearance in these earlier writings. Exceptions to this expected duplication in literary parallels occur when the earlier text is not included in the DA text or when DA treats content not found in the earlier materials.
Our study revealed that the works of Hanna and March figure heavily in the earlier texts that were taken over into DA. In the Ellen White manuscripts on Christ's life that were not used in forming the DA text, there are literary parallels from the works of Frederic Farrar, John Harris, Henry Melvill, Octavius Winslow, and others. 9
11. How does the DA text compare with the pre-DA text in the use of literary sources?
When we first formulated this question, we had planned to evaluate every sentence of the earlier writings, but time and staff limitations prevented such a thorough study. We did examine this earlier material for its use of sources and found that in most cases it showed either the same level or greater levels of literary dependency than did the DA text. Out of the 1,180 sentence units reviewed, we noted 879 dependent sentences. We found 6 strict verbatim sentences, 80 verbatim, 232 strict paraphrase, and 232 simple paraphrase. The average rate of dependency of the pre-DA dependent sentences was 3.57, compared with DA's rate of 3.3.
As we carefully studied the nature and degree of literary dependency of these early materials, which included Ellen White's personal journals, it became very clear to us that it was Ellen White herself who was copying from the sources. We need not look to the work of her secretaries to account for the source parallels found in her writings.
12. How does the content of the dependent sentences compare with that of the independent?
We found no significant differences in content. Both types of sentences include descriptive, devotional, spiritual, and theological commentary and moral exhortation. Both types contain details such as one might expect in an eyewitness account or as having come from a vision. The differences we noted involve the way reality is affirmed and the number of sentences or degree of emphasis given to a particular topic. Ellen White's independent materials often extend the descriptive, spiritual, theological, or devotional commentary. And where the source is suggestive and indefinite as to what took place in the life and ministry of Christ, Ellen White is positive and definite.
13. Do the literary or thematic structures of the chapters of the DA text reflect the structural composition of the sources, apart from the common influence of the Bible?
Even though most DA chapters reflect the dominant use of one source, most of them contain parallels from more than one source. So the final compositions exhibit their own overall structures rather than those of any given source. 10 Several chapter sections appear to reflect specific Ellen White manuscripts.
Ellen White's earlier manuscripts do not reflect multiple sources to the extent the DA chapters do. Evidently in writing them she used one source at a time as she worked on a given topic or aspect in Christ's life. When writing on the same topic on another occasion, she generally used a different source. The fact that DA chapters contain literary parallels from multiple sources more likely represents Marian Davis's conflation of several separate Ellen White manuscripts or journal entries than it does Ellen White sitting down with several sources to compose a chapter.
14. Are the pre-DA writings dependent on sources for their thematic arrangement?
In most instances her diary entries float freely from topic to topic, not offering extensive comment on any given subject. But where her pre-DA writings treat a topic, they usually follow the thematic development of the source. Particularly is this the case with her later manuscripts. However, we would remind the reader of the differences discussed under question 12. Though the basic structure of Ellen White's material usually depends upon the source, her emphasis often differs.
Hopefully this brief review of the 14 questions and their answers provides both a useful context and some justification for the few broad conclusions that follow in the second article (in the December issue of Ministry). These concluding statements may well apply to the entire text of The Desire of Ages, and perhaps to a number of Ellen White's other writings, as well. If not, they are - at least in my judgment - appropriate for the 15 chapters upon which this investigation focused.
1Two Adventist journals have carried reviews of the report (Adventist Review, Sept. 22, 1988; and South Pacific Record, Apr. 15, 1989), but to my knowledge, nowhere have the full conclusions been published. For a while copies of the entire report and of the 100-page-long Chapter XVIII, "Summary and Conclusions", were available for purchase from the office of the president of the General Conference. The report is no longer in stock, but one may still purchase a copy of the summary chapter for US$3.50. Address your inquiry to Dr. Charles Taylor at the General Conference, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD 20904-6600.
2Because I was the project director, I am solely responsible for all the evaluations, the interpretation of the data, and the writing of the report. But I could not have carried out the project without the help of many others, most of whom are mentioned in the preface to the report.
3The random sample comprised the following chapters: 3, 10, 13, 14, 24, 37, 39, 46, 53, 56, 72, 75, 76, 83, and 84.
4In a few instances compound sentences were divided into two independent clauses and evaluated accordingly.
5The other levels of dependency were rated as follows: strict paraphrase, 5; simple paraphrase, 4; loose paraphrase, 3; source Bible, 2 (when the Scripture usage reflected the literary source); and partial independence, 1.
6I have in mind here such works as Patriarchs and Prophets, Prophets and Kings, and The Acts of the Apostles.
7We arbitrarily chose to classify any source supplying 10 or more literary parallels for any one DA chapter as a "major" literary source.
8The other major sources are: John Harris, The Great Teacher; Frederic Farrar, The Life of Christ; George Jones, Life-Scenes From the Four Gospels; Alfred Edersheim, The Life and Times of Jesus the Messiah; J. H. Ingraham, The Prince of the House of David; Francis Wayland, Salvation by Christ; and John Cumming, Sabbath Evening Readings on the New Testament: St. John.
9Frederic Farrar, The Life of Christ; John Harris, The Great Teacher; Henry Melvill, "Jacob's Vision and Vow"; and Octavius Winslow, The Glory of the Redeemer.
10In combining the two Nazareth visits into one chapter, DA chapter 24 seems to reflect the structure of March. Some evidence exists for arguing that chapters 46 and 76 also depend upon their sources for significant aspects of their literary arrangement.
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The Desire of Ages project: the conclusions
Part 2 of a two-part series
By Fred Veltman
(Ministry, December 1990)
To what degree was Ellen White dependent upon literary sources in writing The Desire of Ages?
Did she do the copying herself or was it done by her literary assistants? Could she have unconsciously used the literary expressions of other authors - did she have a photographic memory? Our lengthy and detailed investigation led to five general conclusions that cast light upon these broad questions posed in the introduction to the study. The conclusions are based primarily but not exclusively on the answers generated by the 14 questions we addressed to each chapter of The Desire of Ages (DA) text.1 They also include interpretations of the data, and to that degree involve personal judgment. I have tried, however, to separate my opinion from what I would argue the evidence indicates to be a fact.
I have attempted to set forth the five concluding statements in as concise a manner as accuracy would allow. To understand properly the meaning intended, the reader should give careful consideration to the accompanying explanations and supporting arguments, brief as they are.
As is true of most research activities, the process of drawing conclusions raised additional issues that in my view call for further study. I hope that the underscoring of these issues wilt challenge some readers to add their efforts to those of myself and others who have tried to shed more tight on Ellen White's work and writings. It should be clearly understood that these questions are not offered to dilute the reasonableness of the arguments or to suggest that this investigation is incomplete, and that therefore its conclusions are invalid.
1. Ellen White used literary sources when writing The Desire of Ages.
The purpose of this fundamental claim, and for many an obvious truth, is to set forth clearly the following facts. It is of first importance to note that Ellen White herself, not her literary assistants, composed the basic content of the DA text. In doing so she was the one who took literary expressions from the works of other authors without giving them credit as her sources. 2 Second, it should be recognized that Ellen White used the writings of others consciously and intentionally. The literary parallels are not the result of accident or photographic memory.
In view of the fact that she employed editorial assistants, our clearest evidence of Ellen White's literary borrowing comes from her personal diaries and manuscripts. If we want to establish more precisely the degree of literary dependence, it would be well to study the manuscripts as they come from her hand, comparing both the dependent and independent sentences. Each manuscript should be treated as a whole. When we take the chapter as the basic unit of composition, we remove ourselves several steps from Ellen White's basic work.
This first and fundamental conclusion never fails to elicit a further inquiry as to its implications. Implicitly or explicitly, Ellen White and others speaking on her behalf did not admit to and even denied literary dependency on her part. 3 In the light of this study and other similar studies, what are we to make of such denials? I think that any attempt to address this problem should include a serious consideration of Ellen White's understanding of inspiration and of her role as a prophet. Such a study should be contextualized in terms of nineteenth-century views on inspiration, especially within Adventism.
2. The content of Ellen White's commentary on the life and ministry of Christ, The Desire of Ages, is for the most part derived rather than original.
In light of the data our source studies on the DA text provided, this conclusion might appear to some readers as being unjustified.' To those who have been told that literary sources played a minimal role in Ellen White's compositions such a statement may be incredible. Obviously this second general conclusion calls for some clarification.
As I explained in the first article, source dependency involves more than verbal parallels. We must consider not only the DA text as it reads today, but also Ellen White's earlier writings, the thematic structure of her writings, and the content of her material even where no direct literary similarity exists. When we do so, we find that she depended on her sources to a much greater degree than the verbal similarities of the DA text to those sources indicate.
We must not place too much weight upon arguments from silence. But it is worthy of note that the DA material that we classified as independent was often material dealing with topics not usually covered in a work on the life of Christ. Since our study was largely limited to this type of literature, the reader must consider our estimate of the level of source dependency in The Desire of Ages as conservative. 5
In practical terms, this conclusion declares that one is not able to recognize in Ellen White's writings on the life of Christ any general category of content or catalog of ideas that is unique to her. We found source parallels for theological, devotional, narrative, descriptive, and spiritual materials, whether in reference to biblical or extrabiblical content.
Ever since the recent surfacing of the issue of Ellen White's literary borrowing, the question How much? has had center stage. Adventists have tended to emphasize the uniqueness, the originality, of the content of Ellen White's writings. But in an ultimate spiritual sense Ellen White always insisted that her works were derivative. She received the information from which she wrote out her views through visions, through some sort of impression upon the mind, and from Scripture. She saw herself as a messenger of the Lord. I believe the issue that concerned her was the authority and truth of her messages-not their originality. For Ellen White, all truth ultimately originates with God.
This second conclusion suggests some areas for fruitful study. Even though we found parallels to sources in all of the types of the DA materials, perhaps we need to make a serious comparison of the content of the parallels and that of the independent sections.6 And it may be that we will find other distinctions when we study the other books published from her writings on the life of Christ Christ's Object Lessons and Thoughts From the Mount of Blessing.
We also need to look at the content of her visions. Did she leave any record -what she saw and when - that would enable us to identify the vision content independent of her commentary on the life of Christ that exhibits the use of sources? And what about those times when she was impressed to write? Did she have revelatory experiences other than what is generally understood as a vision? Would the use of sources play any role in such experiences?
There is also the matter of plagiarism. We have now identified several of the sources she used. We know the types of literature these sources represent. And we have an idea of the nature and extent of Ellen White's literary dependency at the level of her original writings. With all this data at hand, we should be able to examine the issue of plagiarism in terms of the literary conventions that governed the use of such religious works among her contemporaries.
3. The special character of Ellen White's commentary is to be found in its practical use of Scripture and in its stress on spiritual realities and personal devotion.
Though Ellen White's writings appear to have been largely derivative, they do not lack originality. A fair assessment of the evidence should not deny or underplay the degree of her dependence, but neither should it overlook or depreciate her independence. Despite her lack of formal education and her dependence upon literary sources and literary assistants, Ellen White could write. She obviously had the ability to express her thoughts clearly. She was not slavishly dependent upon her sources, and the way she incorporated their content clearly shows that she recognized the better literary constructions. She knew how to separate the wheat from the chaff.
It may not be possible to identify Ellen White's "fingerprint" in the material that Marian Davis edited, but certain features of her work are readily apparent. She did not approach the biblical text as a scholarly exegete. Rather, she approached it from a practical point of view, taking the obvious, almost literal, meaning. She gave Marian Davis the responsibility of deciding where the earlier publication needed improving. In some instances the revision included a change in the order of events to bring her writings into harmony with the text of Scripture.
Another distinct characteristic of her work is stress on what I have called "spiritual realities. " She differed from her sources in the emphasis she gave to descriptions of the activities or viewpoints of God and His angels and of Satan and his angels. She appears to be much more informed and at home than her sources when discussing the "other world," the real though invisible world of the spiritual beings of the universe. Her concern for reality is also evident in her replacing the expressions of probability, supposition, and imagination found in the sources with factual accounts given in the style of a reporter or eyewitness.
Ellen White's "signature" is also to be found in the proportion of commentary given to devotional, moral, or Christian appeals or lessons that usually appear at the end of a chapter. This feature would naturally fit the evangelistic purpose that motivated her writing on the life of Christ. It is among her devotional comments and throughout her presentation of what I have called "spiritual realities" that we are more likely to find her independent hand at work.
Ellen White's independence is also to be seen in her selectivity. The sources were her slaves, never her master. Future studies would do well to compare her text with that of the sources and to note how she selected, condensed, paraphrased, and in general rearranged much of the material she used.
Our study raised another question that merits further attention: Was Ellen White indebted to sources for her devotional or spiritual comments? We did find several parallels in one or two works of this type, but our research did not survey enough of these works to establish whether her apparent independence is owing to her originality or to the limits of our investigation. When we extend the survey of possible sources to sermons and devotional literature, we will be able to tell how accurate are our data on her independence and bring into sharper focus just how much of her sections of comment corresponds to or differs from the sources she used.
No doubt a thorough look at Ellen White's use of Scripture would also prove helpful. Is biblical interpretation today limited to her practical approach? Is there a place for careful exegesis? If there is more than one legitimate approach to the study of Scripture, should Ellen White's views control Adventist interpretation of Scripture?
Finally, regarding content, how do Ellen White's writings on the life of Christ compare among themselves? We can no longer ask either Ellen White or those who knew her to explain what she meant by what she wrote. To be fair to her and to avoid the misuse of her authority, we must be careful how we represent what she wrote and how we establish what her position on a given subject was. My study of her writings on the life of Christ has given me the impression that some of her views changed through time. The very fact that the DA text represents a revision of her earlier work suggests that her writings form a textual tradition.
If continued investigation indicates that there is some development in her ideas, would it not suggest that her comments need to be considered in terms of "time and place" not only within her own life experience and textual tradition but with respect to the larger background of her times, both within and without the Adventist Church? Perhaps we need Adventist historians and/or the Ellen 0. White Estate to provide introductions to her writings in similar fashion to what we find useful in studying the Old and New Testament writings. At any rate, we may not necessarily find her view by simply striking a harmony among all her writings on a given subject. Her latest view might well be a correction or at least a modification of an earlier position.
4. Ellen White used a minimum of 23 sources of various types of literature, including fiction, in her writings on the life of Christ. 7
Actually, we have no way of knowing how many sources are represented in Ellen White's work on the life of Christ. In addition to the remaining 72 chapters of the DA text, there are two other books to review: Thoughts From the Mount of Blessing and Christ's Object Lessons. These 23 writers are sufficient, however, to answer the questions so many have asked: From what writers did Ellen White borrow? What kinds of books were they writing?
Space does not permit us to survey all 23 here. But there is no need to cover the entire lot, since many fall under the literary category of "Victorian lives of Christ." The books in this category were never intended to be biographies. Today they would probably be classified as historical fiction.
One obviously fictional account is Ingraham's The Prince of the House of David, a work that Albert Schweitzer referred to as one of the "’edifying’ romances on the life of Jesus intended for family reading." 8 Ingraham cast his work as a collection of letters written by an eyewitness in Palestine to her father in Egypt.
William Hanna's popular work was designed to be "practical and devotional." 9 No wonder that parallels from Hanna are to be found in 13 of the 15 DA chapters we investigated.
The books in Ellen White's library at the time of her death appear to corroborate what her writings reveal. She read widely in works of differing literary type, theological perspective, and scholarly depth.
5. Ellen White's literary assistants, particularly Marian Davis, are responsible for the published form of The Desire of Ages.
The role of Ellen White's literary assistants was not a major concern of the study. But this subject cannot be entirely excluded from any serious attempt to treat her use of sources. Her method of writing inextricably involved the work of her secretaries, especially that of her "bookmaker." A significant part of the introduction to the research report covers this rather interesting side to Ellen White's literary work.
In her day she was no doubt known more for her public speaking than for her writing. She loved to speak, took every opportunity to speak, and was confident of her speaking ability. It was not that way with her writing. Though she felt the burden to write, her confidence in her ability as a writer was not strong. She knew that her education did not qualify her to write for publication.
The evidence suggests that she wrote day by day in her journals, moving from topic to topic as time and opportunity made it possible. No doubt she worked with one source for a while and then moved on to another source and another subject. These jottings would be copied and corrected for grammar, syntax, and spelling when she passed that journal over to one of her secretaries. Several journals would be active at the same time.
From these collections her assistants would compose articles for Adventist journals. It appears that larger publications were produced from collections of materials gathered into a scrapbook. At least that seems to be the way the chapters for The Desire of Ages were compiled. Apparently her assistants at times developed manuscripts from journal entries. Several of the manuscripts consist mainly of excerpts from earlier writings and do not carry Ellen White's signature.
Our comparison of manuscripts with the finished text and our study of the letters Ellen White and Marian Davis wrote that reveal the steps required for preparing the text for publication clearly show that Marian Davis had the liberty to modify sentence structure, to rearrange paragraphs, and to establish chapter length. Ellen White was more concerned about the general content of the book, the cost, and getting the material to the public as soon as possible. She also took a keen interest in the artwork used to illustrate her writings.
I found no evidence to indicate that Marian Davis was involved in the original composition of any Ellen White text. But without the original manuscripts it is difficult to prove that such did not happen with any portion of the text of The Desire of Ages. It might prove helpful to make a stylistic study of the letters of Marian Davis and the handwritten materials of Ellen White. If their "fingerprints" emerge, we would have some basis for determining more precisely the level of involvement Marian Davis exercised in her role as "bookmaker." It may well be that she deserves some public recognition for her services in this regard.
As a final statement on the research project, I think it is fair to say that in respect to the text of The Desire of Ages, Ellen White was both derivative and original. Future studies will no doubt bring to our attention not only more sources but also a greater understanding of Ellen White's creative role. With the aid of her literary assistants, she built out of the common quarry of stone not a replica of another's work but rather a customized literary composition that reflects the particular faith and Christian hope that she was called to share with her fellow Adventists and the Christian community at large.
It is perhaps more accurate and useful to speak of her creative and independent use of her writings and those of others than to minimize her dependence upon the writings of others. Whether sentence, paragraph, chapter, or book, it is the finished product that should be considered in the final analysis. A reading of the full report will readily reveal that the multiple aspects of literary dependence or independence, particularly of large portions of text, are often too subtle, too intertwined, and otherwise too complex to be precisely and consistently evaluated.
1See the first article in this series: Ministry, October 1990.
2I do not claim that her secretaries did not borrow from the sources. My point is that I found no evidence that they composed the text using literary sources, and there is plenty of evidence in Ellen White's manuscripts to show that she did so.
3See "Personal Postscript" for the reference of the statement from The Great Controversy on this question
4See questions 5, 6, and 7 in the first article in this series, "The Desire of Ages Project: the Data," Ministry, October 1990.
5For example, chapter 56, "Blessing the Children," includes much comment on motherhood, fatherhood, and the family. Until we survey the literature that we know Ellen White read on 5uch topics, we cannot be sure that the sentences of this chapter actually deserve the independent rating we have given them.
6For a good example of a content analysis, see Tim Poirier's "Sources Clarify Ellen White's Christology," Ministry, December 1989, pp. 7-9.
7The summary statement in the first article listed 28 writers and 32 sources for both the DA and pre-DA texts. I came up with the number 23 by omitting the duplications between the two textual Surveys and, in an effort to be sure that we had bona fide sources, by eliminating from the count all sources providing less than five parallels for any given chapter.
8Albert Schweitzer, The Quest of the Historical Jesus (London: A. and C. Black, Ltd., 1910), p. 328, note 1.
9Daniel L. Pals, The Victorian "Lives" of Christ (San Antonio: Trinity University Press, 1982), p. 69.
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Personal postscript
By Fred Veltman
(Ministry, December 1990)
Some of the questions I have been asked about this investigation relate to matters of faith and to my perspectives as an Adventist. Because I view myself as both a pastor and a scholar, I would, like to answer briefly four of these questions. The following remarks constitute my personal response to what I have discovered and are not conclusions formed from the research data.
1. "If you believe that Ellen White was inspired of God, why are you spending so much time searching out possible sources for her writings?"
There are several reasons. The study is justified on the basis of Adventist interest - many in the church are asking about her literary dependency. No faith in Ellen White and her writings can be persuasive if it cannot stand the light of truth. Several friends of mine, and I am told many others unknown to me, have given up faith in Ellen White's inspiration, if not in Adventism, over this issue. If there are those who find it no longer possible to believe in Ellen White or Adventism, I would prefer that their decision be based upon a proper understanding rather than a misconception.
There is also a professional basis for my interest in this subject. As a biblical scholar I am aware that our knowledge of Scripture is largely owing to similar studies on the biblical text, its composition, its history, and its background. In my view, it is imperative that we develop the knowledge and tools for properly interpreting the writings of Ellen White. These principles must emerge from a knowledge of the text and not be superimposed on the text.
2. "Do you think that Ellen White was guilty of plagiarism, as some have charged?"
As I pointed out in my report, the investigation did not treat the issue of plagiarism. While we cannot settle that issue here, nor do I wish to minimize its importance, my personal opinion is that she was not guilty of this practice. We did find verbatim quotes from authors who were not given credit. But the question of plagiarism is much more complicated than simply establishing that one writer used the work of another without giving credit. A writer can only be legitimately charged with plagiarism when that writer's literary methods contravene the established practices of the general community of writers producing works of the same literary genre within a comparable cultural context.
In the process of doing our research we found that Ellen White's sources had previously used each other in the same way that she later used them. At times the parallels between the sources were so strong that we had difficulty deciding which one Ellen White was using.
3. "How do you harmonize Ellen White's use of sources with her statements to the contrary? Do you think the introductory statement to The Great Controversy constitutes an adequate admission of literary dependence?"
I must admit at the start that in my judgment this is the most serious problem to be faced in connection with Ellen White's literary dependency. It strikes at the heart of her honesty, her integrity, and therefore her trustworthiness.
As of now I do not have - nor, to my knowledge, does anyone else have - a satisfactory answer to this important question. The statement from The Great Controversy comes rather late in her writing career and is too limited in its reference to historians and reformers. Similar admissions do not appear as prefaces to all her writings in which sources are involved, and there is no indication that this particular statement applies to her writings in general.
But it seems to me that the statement from The Great Controversy does provide a hint as to where the answer will be found. Apparently Ellen White believed that documentation was necessary only when a writer was quoted as an authority. When the source was quoted to provide "a ready and forcible presentation of the subject," no credit need be given. *
The idea that Ellen White worked with these distinctions in mind does not settle the question of plagiarism. Nor does it fully answer the questions raised in connection with the DA text, in which paraphrases rather than quotations dominate. It does suggest, however, that Ellen White may have viewed literary dependency as primarily indicating authority and applying to wholesale quotations rather than to paraphrasing.
If my guess is correct, answering the question would demand that we carefully study her responses on the topic of literary dependency in their historical context. This approach would include a scrutiny of her comments and those of her contemporaries on the subject of inspiration. If so many believers today find her use of sources disturbing to their faith in her inspiration, is it reasonable to expect less of nineteenth-century Adventists? Ellen White's denials and/or nonadmissions may have meant something other to her than what they mean to us today.
4. "Do you personally believe that Ellen White was an inspired messenger of the Lord? And if so, what do you mean by 'inspiration'?"
This fourth and final question is the "bottom line" when it comes to questions on Ellen White. Even though there is no single orthodox Adventist view of inspiration, whether of the authors of Scripture or of Ellen White, there are boundaries to acceptable positions. My personal position relative to Ellen White is informed primarily by my knowledge of the biblical text and secondarily by what I know about Ellen White and her writings.
While I do not have all the answers to the questions being addressed to the writings of Ellen White, my belief in her inspiration is not seriously compromised. After all, we don't have all the answers to questions on the text of Scripture.
I have no problem with inspired writers using sources. To my way of thinking, inspiration is not dependent upon originality. Much of Scripture makes no claim to being new and different from what anyone else was saying or from what had been said in the past. Why should we expect from Ellen White something more than we find in Scripture?
Actually, as a result of my reading many of her writings in their handwritten and typescript form, I find that my respect for and appreciation of Ellen White and her ministry have grown. I covet for her supporters and critics alike the opportunity to read her writings in their original context. To be able to experience firsthand her breadth of interest and involvement, her judgment and devotion, her humor and humaneness, and her piety and spirituality, was both informative and faith-building.
Obviously she was human, had personal and character weaknesses, and was far from perfect and infallible. She never claimed otherwise. In my judgment, her writings contain both time-conditioned and timeless statements. These have to be sorted out through principles of interpretation, as is done with Scripture.
I am under the strong conviction, now more than before I began this research, that the issue is not one of deciding if Ellen White was a prophet or merely a religious leader. It is not a case of all or nothing, of either/or. Nor is it the problem of deciding which of her messages are inspired or when she exchanged her prophetic hat for an editorial cap.
I find compelling reasons for viewing her as a nineteenth-century prophetic voice in her ministry to the Adventist Church and to the larger society as well. Her voice out of that Christian community of the past still deserves to be heard today in those timeless messages that speak to the realities of our world at the end of the twentieth century. -Fred Veltman.
*Ellen G White, The Great Controversy (Mountain View, Calif: Pacific Press Pub. Assn., 1911), p. xii.
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